Ciro Gomes critica 'esquizofrenia' do PSB sobre as eleições de 2014

Para o ex-ministro, o governador de Pernambuco e presidente nacional do partido, Eduardo Campos, ainda insiste na candidatura mas está 'numa posição menos ofensiva do que no passado'

atualizado às 12h00 , Lauriberto Braga - Especial para o Estado de S. Paulo

23 de julho de 2013 | 17h33

FORTALEZA - O ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) disse nesta terça-feira, 23, em entrevistas a duas emissoras de rádio de Fortaleza que "o PSB está perplexo e numa posição esquizofrênica”, mas afirmou que o governo Dilma Rousseff está “perdido na política e na economia”.

A declaração sobre o PSB foi dada à Tribuna BandNews e refere-se a posições do partido sobre a sucessão presidencial de 2014. O partido ainda não decidiu oficialmente se vai lançar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na disputa pelo Palácio do Planalto. Campos é o presidente nacional do partido.

Ao comentar a “esquizofrenia” do partido, que mantém cargos no governo mesmo com os planos de candidatura própria, Ciro aproveitou para criticar as siglas que comandam hoje o Palácio do Planalto. “Nós catamos migalhas acocorados embaixo do banquete fisiológico do PT e do PMDB, portanto não temos nenhuma coerência para ficar contra o governo”, afirmou. “Não sugerimos nada que mude as coisas, e aí achamos que temos direito amanhã de ser contra? Eu me sinto muito mal nessa posição.”

Para Ciro, Campos insiste na candidatura, mas, por outro lado, está “numa posição menos ofensiva do que no passado”.

“Se nós temos candidato, nós temos que responder a duas perguntas: Por que, a partir da ideia de quando a Dilma era ninguém, desconhecida, e o Lula encerrava um ciclo, nós não apresentamos candidato? E para quê? Porque o Brasil não quer Chico, Manoel ou Toim”, avaliou Ciro. “O Brasil quer uma proposta que se ofereça para garantir o espaço conquistado, mas avance muito além daquilo que hoje nós temos. E especialmente que represente uma ruptura com os maus costumes da política brasileira, com a ladroeira, que represente uma inversão de prioridades para que se cuide da economia do País, da educação do nosso povo, da segurança de nossa população; e da saúde da família brasileira.”

‘Governo perdido’. Em outra emissora, a Verdes Mares AM, Ciro afirmou que o governo federal está “mais perdido que cego em tiroteio” e erra tanto na política como na economia. E chamou a equipe ministerial de uma “putaria”. “Dilma é decente e trabalhadora, mas está cercada de gente de quinta categoria pilotando e sentada na putaria – desculpe a má palavra!”

Ciro afirmou que o governo deveria reduzir já a quantidade de ministérios de 39 para 15 pastas. “Mas só uma inabilidade da Dilma para acreditar que o PMDB quer uma redução de ministérios.” Para ele, o PMDB está colocando Dilma na parede “e ela não reage”.

O ex-candidato à Presidência foi irreverente ao responder se poderia disputar o Planalto novamente. “Humildemente não é muito provável. A minha vez era quando terminou o governo do Lula, e a Dilma era uma desconhecida. E lamentavelmente o meu partido não teve coragem, trocou minha cabeça por um monte de benefício para Pernambuco (risos). Tudo bem, faz parte da vida, não tenho mágoa nem queixa.”

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