Ciro Gomes critica criação de duas CPIs no Congresso

O deputado federal e ex-ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PSB-CE), questionou nesta sexta-feira, 27, a necessidade de duas CPIs - uma na Câmara e outra no Senado - para se investigar a crise no sistema aéreo brasileiro."As instituições regulares estão todas operando. Há inquéritos pela Polícia Federal, Infraero, DAC (Departamento de Aviação Civil) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para apurar causas e responsabilidades. O que essas CPIs vão fazer, tirando o espetáculo, a tentativa de sujar o paletó do Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva)?", indagou.O deputado entende que deputados e senadores têm aptidão para investigar, mas nos casos em que as instituições que deveriam cuidar de determinados assuntos não funcionem. Ciro participou de evento sobre reforma política em Franca, interior de São Paulo, e afirmou ainda que "uma CPI já é expressão de desvio, diante das verdadeiras e graves responsabilidades que o parlamento brasileiro tem". Para ele, no entanto, é algo "compreensível", porque parte da mídia é induzida a vulgarizar o fato político para produzi-lo de forma simplória e, os políticos, "praticamente sem ambiente para terem destacadas suas abstrações, suas iniciativas em temas de relevância".O deputado criticou o que qualificou como a "espetacularização" das CPIs. "São novelas em que o fato principal é quem vai ser esculhambado hoje? Quem vai ser humilhado? Qual a violação de direitos humanos que se fará, destruindo a presunção de inocência? Elas estão desmoralizando pessoas, misturando culpado com não-culpado, fazendo jogo de platéia para depois não acontecer rigorosamente nada", criticou.Gomes afirma que nenhuma instituição brasileira mudou por conseqüência das CPIs mais recentes. "Foi um desastre que assistimos um ano e meio atrás e que paralisou o País durante um ano e quatro meses. E olha que houve problemas, e graves. Essas comissões servem para percebermos quais as fragilidades, debilidades institucionais, para daí consertá-las naquilo que é nosso métier, que é o regramento do País".A corrupção no Brasil, na concepção dele, não é generalizada porque o brasileiro é mais corrupto que outros povos. "O que tem no Brasil é uma frouxidão institucional, são determinadas legislações anacrônicas, uma legislação ainda cortada pelo privilégio. Portanto, as causas institucionais da corrupção, que foi chamada de mensalão, continuam iguais", atira.IndicaçõesO polêmico convite de Lula a Roberto Mangabeira Unger para assumir a Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo é visto por Gomes como "uma certa nobreza" por parte de Lula. No ano passado, Mangabeira fez "campanha" pelo impeachment do presidente. O deputado afirma que, por se tratar de "um cérebro absolutamente especial no planeta", com quem teve o privilégio de trabalhar junto na Universidade de Harvard e escrever um livro, Unger prestará "um grandíssimo serviço ao País". "Ele dará uma boa contribuição na parte humana. Contradições politiqueiras existem e estão sendo manejadas", opina.Sobre a indicação de Pedro Brito à Secretaria Especial de Portos, Gomes fez questão de salientar que ela foi feita pelo próprio presidente. "O Pedro é um extraordinário talento. É executivo, não é um político. As pessoas desenham como se fosse indicação minha, mas eu não indiquei ninguém."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.