Werther Santana/ESTADÃO
Werther Santana/ESTADÃO

Ciro fala em 'porta aberta' com o PSDB para depois de eleição

'Acredito que, se eu ou o Geraldo vencermos, o outro pode vir desejar boa sorte e trabalhar no futuro', diz pré-candidato em sabatina

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 12h25

O ex-governador do Ceará e pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse nesta segunda-feira, 21, em sabatina promovida pelo SBT, portal UOL e Folha de S.Paulo que não descarta deixar uma "porta aberta" para conversar depois das eleições com o PSDB. O pededista, no entanto, ressaltou que uma aliança com os tucanos durante a campanha está descartada. 

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 "Eleitoralmente falando, é completamente disparatoso imaginar uma aliança minha com o PSDB. O que o PSDB acabou de fazer com o PMDB (na gestão do presidente Temer) é tudo o que não concordo: antinacional, antipobre e antipovo", declarou o pedetista. "Acredito que, se eu ou o Geraldo [Alckmin, pré-candidato tucano] vencermos, o outro pode vir desejar boa sorte e trabalhar no futuro."

Além de descartar o PSDB, Ciro evitou comentar sobre os possíveis nomes para vice em sua chapa. Benjamin Steinbruch, recém-filiado ao PP, Márcio Lacerda (PSB) e Josué Gomes (PR) são "três amigos queridos" e Fernando Haddad (PT) é "maravilhoso", nas palavras do cearense. Mas entre eles só houve uma sondagem direta, feita a Josué, filho do ex-vice-presidente de Lula, José Alencar. "Nesse momento, só um companheiro fala por mim nesse assunto, o (presidente do PDT), Carlos Lupi", disse.

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Instado a comentar sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), Ciro afirmou ainda que considera o deputado "despreparado" e com "soluções graves e toscas" para os problemas do Brasil. "A rigor, gostaria de enfrentá-lo no segundo turno porque me parece o candidato menos difícil de ser derrotado. Você vê que quando o candidato promete distribuir armas, o que ele está prometendo é um banho de sangue", disse.

Propostas econômicas

Ciro disse ainda que um novo imposto, nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), não está definida, mas que, se vier a acontecer, será focada em transações acima de R$ 2 mil, o que deixaria 80% das operações de fora, em seus cálculos. 

"No meu governo, vou diminuir os impostos sobre a classe média e os mais pobres e vou aumentar sobre os mais ricos", disse o pededista. "A CPMF é um tributo ruim tecnicamente, porém, a crise do país é tão grave que um imposto do tipo está sendo considerado", afirmou, reiterando que, caso a ideia venha a ser abraçada, ela terá seu anúncio feito antes das eleições.

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Seguindo na linha de orientar suas políticas diferenciando o trato aos mais ricos e dos mais pobres, o pedetista criticou a reforma trabalhista e o teto de gastos do governo. Sobre a primeira, classificou o texto aprovado como uma "selvageria", explicando que gera informalidade no mercado de trabalho. Também criticou o fato de que os gastos cerceados pelo teto sejam justamente os que atingem as famílias de menor renda, como educação e saúde, ao passo que o serviço com juros fica de fora.

Questionado sobre como trataria o tema das despesas públicas, Ciro disse que poderia ser imposto um limite ao crescimento dos gastos como um todo, da mesma maneira que é feito nos Estados Unidos. "Vai para a lei plurianual, todos os gastos de uma vez só. Quando chega ao limite, o governo para e há uma discussão sobre realocação", disse o presidenciável, se referindo aos "shutdowns" que ocorreram no governo norte-americano nos últimos anos.

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