Ciro fala em insistir em Presidência da República

'Vou espernear até terça-feira', disse o Deputado Federal

Gustavo Uribe, da Agência Estado

26 de abril de 2010 | 18h01

SÃO PAULO - Às vésperas da reunião que deve solapar a sua candidatura ao Palácio do Planalto, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) voltou a apontar a sua munição contra o PMDB e insistir que irá espernear até o fim pelo lançamento de seu nome à Presidência da República. Em entrevista concedida ao programa "É Notícia", da Rede TV!, que foi ao ar neste domingo, 25, o parlamentar reafirmou que respeitará a decisão do PSB caso opte por deixar a corrida eleitoral, mas que não desistirá do intento de se tornar presidente do País.

 

"Eu vou espernear até terça-feira. Quando abrir a porta da reunião, eu vou estar esperneando, mas vou aceitar com muito respeito a vontade do partido, lamentando muito", afirmou. "Mas nem por isso desisto de me tornar presidente", emendou. O deputado federal ressaltou ainda que só sairá da disputa ao Palácio do Planalto quando o PSB formalizar a sua decisão e assegurou que não será candidato a nada nessas eleições. "Eu vou parar um pouco. Escrever, trabalhar, tentar ganhar algum dinheiro", brincou. "Não serei candidato a nada", salientou.

 

Ciro Gomes acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter lhe omitido as suas reais intenções e lembrou que sua pré-candidatura havia sido acertada no final do ano passado, em reunião com a presença do petista. "E houve até lágrimas no encontro", afirmou. Perguntado sobre quem havia chorado, o parlamentar aproveitou a oportunidade para estocar o presidenciável do PSDB, o ex-governador José Serra. "Eu sou bem emotivo. O único que não chora no Brasil é o Serra, que tem olho de cobra e não se emociona com nada", criticou.

 

De acordo com Ciro Gomes, a estratégia do presidente Lula de polarizar a corrida eleitoral entre PT e PSDB está "completamente errada". O presidenciável do PSB acusou os petistas de retomarem o bipartidarismo no Brasil. "É hora de acabar com as eleições disputadas apenas por dois partidos, o que era visto entre Arena e MDB na ditadura militar", defendeu. O pré-candidato do PSB também criticou o debate político concentrado no Estado de São Paulo. "É um debate estadual entre PT e PSDB que se reproduz no País", afirmou.

 

O parlamentar voltou a elogiar a escolha da ex-ministra Dilma Rousseff como da pré-candidata do PT à Presidência da República. "Não podia ser mais acertada." Mas criticou a falta de experiência política da petista. "Todos nós erramos, mas falta experiência a ela. A Dilma diz que não corre de briga e tem de passar quatro dias se explicando. A Dilma visita o túmulo do Tancredo Neves e o pessoal lembra que o PT ficou contra o Tancredo no colégio eleitoral. A Dilma vai visitar o Ceará e não dá um telefonema", enumerou. "É muito erro para dez dias de campanha", acrescentou.

 

Em mais um ataque ao PMDB, sigla pela qual militou durante cinco anos, Ciro disse que sente vergonha de ter feito parte da agremiação e de ter convivido "com certas figuras do partido". De acordo com o parlamentar, o problema do PMDB são as suas lideranças. "Hoje quem manda no PMDB não tem o menor escrúpulo ético, republicano, nada. É um ajuntamento de bandidos", acusou Ciro.

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