Ciro diz que não vai se 'engajar' em campanha de Dilma

O deputado federal Ciro Gomes (PSB) não vai se engajar na campanha nacional da candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff. "Vou cuidar aqui da nossa paróquia, que é o que me apaixona hoje", disse, referindo-se ao Ceará, onde o irmão dele, Cid Gomes (PSB), disputa a reeleição para governador.

CARMEN POMPEU, Agência Estado

16 Julho 2010 | 17h43

Coordenador político da campanha de Cid Gomes, Ciro afirmou não guardar mágoas e nem rancor. Mas que se sentiu "feito de bobo" com a forma como a pré-candidatura dele a presidente foi descartada e que, por isso, não tem a menor vontade de participar da sucessão presidencial.

"Isso tudo que aconteceu comigo, nesses passos da vida nacional, me machucou profundamente", disse. "Eu passei um momento de grande tristeza pessoal, cheguei a negar a minha própria vocação", completou, em entrevista concedida ontem à noite, depois de inaugurar o comitê eleitoral do irmão, em Fortaleza.

O espaço usado, que era uma residência próxima ao maior parque da cidade, o Cocó, foi decorado com painéis gigantes. No maior deles, estão Lula, Dilma, Ciro, Cid e os demais candidatos que compõem a chapa majoritária ao governo estadual. Dilma não compareceu ao avento, e deve visitar o Ceará apenas em agosto.

Dilma

Sobre a candidata petista, Ciro disse aos jornalistas ser "profundo amigo" dela. "Somos grandes companheiros, acho que, se havia uma pessoa no PT que tinha dotes para ser candidata, entre todos os militantes petistas de alta qualidade, ela era a melhor".

Ciro se confundiu ao falar em quem votaria, porque teve que, a pedido de Lula, mudar o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo. "Ah sim vou votar para presidente", disse ao ser advertido por jornalistas que a transferência não impediria o voto para presidente, mas sim no próprio irmão.

Ciro não quis falar se subiria no palanque de Dilma, ao menos nas vezes em que ela visitasse o Ceará. "O nível da minha participação em campanha dependerá muito da incorporação das minhas preocupações com o futuro do Brasil, que não são poucas e nem pequenas", comentou.

No discurso que fez durante a inauguração do comitê do irmão, Ciro mencionou o nome de Dilma duas vezes. No início, afirmando que o espaço também era dedicado à campanha dela no Ceará. E no final, ao pedir votos para Cid e para todos os demais integrantes da chapa majoritária.

Adversários

O discurso de Ciro foi cheio de recados duros aos adversários do irmão do governador. Disparou mensagens indiretas até contra o padrinho político, Tasso Jereissati (PSDB), que lançou Marcos Cals na disputa contra Cid.

"Todas as críticas que fizerem serão anotadas em um livro de ouro da campanha do Cid Gomes", disse Ciro, "porque o Cid, ao contrário de alguns, sabe que a verdade não tem dono". "O Cid, ao contrário de alguns, sabe que a prepotência, o mandonismo, a arrogância e a violência não são linguagens para uma democracia, que nós precisamos ter aperfeiçoada", discursou.

Questionado se as críticas significam rompimento com Tasso Jereissati, Ciro afirmou que a amizade dele com o senador tucano "não está em votação". "O que está em votação é um projeto de Ceará", completou.

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