Ciro diz não crer em aprovação da reforma tributária neste ano

Deputado também manifestou preocupação com desoneração do ICMS dos produtos que integram a cesta básica

ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

29 de abril de 2008 | 14h46

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) se mostrou cético quanto à possibilidade de a proposta de reforma tributária ser aprovada ainda este ano pelo Congresso Nacional. "Não vejo a menor chance. Pode ser que eu esteja errado. Eu sou novato", disse. Ele ainda alertou para o risco de a reforma provocar uma ameaça ao processo de industrialização do Nordeste. Segundo ele, essa industrialização foi conseguida "a duras penas".  Veja também:Leia a íntegra da reforma tributária  Veja a cartilha do governo que explica a reforma Veja os principais pontos da reforma tributáriaMantega e Múcio debatem reforma tributária com líderes"De concreto, com uma mudança da cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da origem para o destino, há uma ameaça a toda a base industrial conseguida a duras penas pelas regiões mais pobres do Brasil, especialmente no Nordeste, porque o incentivo fiscal que as mobilizou tem por lógica a cobrança do imposto na origem", afirmou Ciro Gomes, após participar de um encontro com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a proposta de reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso Nacional. "À medida que o ICMS possa ser cobrado no destino, teremos um risco sério de desindustrialização no Nordeste", afirmou.Ciro Gomes também manifestou preocupação com a desoneração do ICMS dos produtos que integram a cesta básica. "É muito bom, justo e honesto que se avance na direção de acabar com impostos na cesta básica, afinal de contas, é a principal despesa das famílias brasileiras. Só que tem quatro ou cinco Estados do Centro-Oeste, especialmente, que têm como base econômica produtos da cesta básica", alertou.Para Ciro, "falta muito" para uma negociação que permita a aprovação da proposta de reforma tributária. "Essa dinâmica que o ministro Guido Mantega, com a sua equipe, faz de mobilizar frações da opinião parlamentar para submeter a um debate e remover inseguranças e colher a experiência que vem de todos os rincões do País é que vai atenuar o risco certo de que não passe, porque essa é a tradição", disse o ex-ministro.Ele enfatizou que o Brasil tem uma sistema tributário ruim, mas também muito difícil de ser consertado. Na sua avaliação, a decisão do governo de deixar a cobrança de 2% do ICMS nos Estados de origem foi uma "rendição". "Se o princípio correto é de cobrar no destino, por que reservar ainda 2% na origem? Isso foi uma rendição à pressão dos Estados mais industrializados do País", criticou.

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