Ciro: desafio de Dilma é conciliar base heterogênea

FORTALEZA - O deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP) votou em trânsito, pela manhã na Escola de Saúde Pública, em Fortaleza. Ciro disse que pretende amanhã mesmo transferir o domicílio eleitoral dele de volta para o Ceará. Ele havia mudado o título de eleitor para São Paulo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto aguardava na fila, ele aproveitou para elogiar a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, enaltecendo o talento dela para administrar. Ciro, no entanto voltou a dizer que ela é "inexperiente" na política. De acordo com ele, se eleita, Dilma terá como maior desafio conciliar uma base de sustentação heterogênea.

CARMEN POMPEU, Agência Estado

31 de outubro de 2010 | 15h41

"A Dilma tem um talento muito grande como administradora. Isso eu já vi de perto. Ela é muito boa administradora. Tem intimidade com as coisas todas. Sabe produzir resultados e isso é uma coisa que a administração pública brasileira se ressente muito. Entretanto, a ela falta experiência, a vivência política, o que me deixa sempre com algumas preocupações. E a heterogeneidade da sua base de sustentação é disparado o mais grave desafio", declarou.

Para resolver essa questão, Ciro disse que Dilma precisa se colocar acima dessa heterogeneidade, que, segundo ele, é inerente à vida brasileira atual, uma hegemonia moral e intelectual clara. Ele afirmou que foi convidado por Dilma para acompanhar a apuração no comitê central da presidenciável petista, em Brasília. Mas não vai, alegando que está "com preguiça". "Vou ficar por aqui mesmo", emendou.

Sobre a possibilidade de assumir algum ministério em um eventual governo de Dilma, ele preferiu a cautela: "Vamos ver primeiro se ela ganha. Essa é uma pergunta irrespondível, porque se eu digo a você que sim estou correndo o risco de me oferecer para uma coisa do que fui convidado. Se digo que não, estou correndo o risco de ser soberbo diante de uma convite que não recebi. Então fica sem resposta."

Ciro classificou de "fofoca" a notícia de que ele assumiria alguma estatal e pôs culpa no presidente Lula. "Quem andou espalhando essa fofoca foi o próprio Lula. O bicho não tem jeito não. Mas foi uma forma de brincar comigo. De me agradar, porque toda vida no meio da crise do tal chamado mensalão, a gente tinha tensões tremendas e tal, e o salário do ministro é muito pequeno, claro em relação ao que eu ganho, por exemplo, numa palestra, em relação ao que o trabalhador ganha, evidente que não. Mas eu reclamava. Isso é lá vida, a gente está aqui com um salário desse. Ai eu dizia: bom é o BNDES, que o cara não tem de falar com ninguém. Ficar olhando a Baia de Guanabara. Ai ele começou a espalhar isso", revelou Ciro, garantindo não ter recebido nenhum convite.

Com relação ao futuro político, depois de encerrar o mandato de deputado federal, Ciro afirmou que pretende dar um tempo. "Não sei se vou conseguir porque eu não estou na política por mim. Eu estou por mim, porque é minha vocação, o que sempre me realizou, mas sempre estive mais pelo Ceará. Alguns momentos eu queria estar fora e fiquei dentro por causa dos interesses do Estado do Ceará e do Brasil. Eu espero, desta feita, dado que o Ceará tem uma nova liderança e uma liderança que já se demonstrou muito capaz que é o Cid, eu posso dar um tempo agora da política e cuidar um pouco da minha vida pessoal".

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