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Ciro critica PT por aproximação com PMDB nas eleições de comando do Congresso

Para o ex-ministro e pré-candidato a presidente da República em 2018 pelo PDT, é 'inacreditável' que o partido troque um 'compromisso com o País' por 'carguinhos irrelevantes na burocracia da Câmara e do Senado'

Carmen Pompeu, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2017 | 19h59

Fortaleza - O ex-ministro e pré-candidato a presidente da República em 2018 pelo PDT, Ciro Gomes, criticou duramente, nesta terça-feira, 13, a aproximação do PT com o PMDB na sucessão no Congresso Nacional. “Considero inacreditável que o PT troque um compromisso com o País, com a decência, com a democracia, com o enfrentamento ao golpe e aos golpistas, por um carguinho, uma sinecura; por meia dúzia de quinquilharias do poder”, afirmou Ciro, em Fortaleza, antes de proferir palestra na sede da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará.

“Se isso acontecer na Câmara, especialmente, ou no Senado, terá sido porque de fato o PT não aprendeu nada com toda a grande tragédia que aconteceu com ele”, emendou Ciro. Mesmo não descartando contar com um futuro apoio petista à sua pretensão de candidatar-se a presidente, Ciro argumentou que não poderia, a pretexto de querer a legenda como aliada, deixar de fazer as críticas.

“Como é que pode o PT, sendo o partido que foi golpeado, que denunciou para o País e para o mundo que o País experimentou um golpe, trocar o compromisso com o futuro por meia dúzia de carguinhos irrelevantes na burocracia da Câmara e do Senado?”, insistiu o ex-ministro.

Ciro confirmou o nome do deputado André Figueiredo (PDT) na disputa na Câmara. E elogiou a coragem do colega de partido, mesmo admitindo que André não tem chances de vencer. “É preciso lutar. Tem uma piada que ensina sobre isso. Diz que o cidadão ia todo dia ao santo pedir para ganhar na loteria. E um dia o santo reclamou: 'Rapaz, pelo menos, joga, né?'. Então, precisamos criar alternativas. E o André teve a coragem. É um cara limpo, decente, respeitado”, afirmou.

Para Ciro, André se apresenta como uma mudança política dentro da Câmara. “Se não houver alternativa, vai dar nisso daí mesmo: nesse pragmatismo irresponsável, nessa pusilâmine corrupção fisiológica, que domina o País”, comentou.

Senado. Sobre a sucessão no Senado, onde Eunício Oliveira (PMDB-CE) costura alianças e sai como favorito, Ciro Gomes afirmou que o peemedebista é citado na Operação Lava Jato. “E se quiserem eleger para o Senado uma figura dessa daí, a gente está só dizendo: atenção Brasil, o Senado continua dominado por uma maioria de ladrões, salafrários, corruptos, que vai continuar levando o País para essa novela escandalosa”, disse o ex-ministro.

Com relação à Lava Jato, Ciro afirmou esperar que a operação cumpra seu papel histórico, mas revelou o temor de os promotores e o juízes da força-tarefa se desviarem desse caminho. “Eu espero que ela (operação) cumpra o seu papel histórico. Pode ser um papel histórico se ela representar o fim da impunidade como grande prêmio tanto para o baronato da política como para o baronato dos ricos. Se ela for, terá feito história. Se não for, terá sido pela vaidade de uma juventude meio exibicionista de procuradores e juízes que, não percebendo a importância histórica do seu fazer nesse momento, podem trocar uma coisa importantíssima para a história do País por um brilhareco que vai sumir daqui a pouco”, afirmou.

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