Ciro chama o governo de "clientelista" e ataca Serra

O pré-candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, chamou hoje o governo federal de fisiológico, clientelista e "com pitadas de corrupção", ao comentar a declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, que ontem afirmou "rir" quando ouve acusações de ser neoliberal. Em entrevista à Agência Estado, o ex-governador cearense também atacou o ministro da Saúde, José Serra - também presidenciável -, que recentemente classificou Ciro como "o político mais mentiroso do Brasil". Ciro disse que, em 1994, Serra só declarou seu apoio ao Plano Real depois de levar uma bronca de Mário Covas."O governo é tendente a neoliberal. Claro que, de fato, não é ortodoxamente neoliberal, eu concordo. Mas não é pelo pior. Por exemplo, no neoliberalismo o Proer não cabe. É você estatizar, com dinheiro público, o prejuízo do sistema financeiro. Isso não é neoliberalismo. É fisiologia, clientelismo e patrimonialismo, com pitadas de corrupção", afirmou Ciro.O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) foi criado em 1995, com o objetivo de evitar uma crise bancária. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investiga a operação, que custou bilhões de reais ao Banco Central. Em depoimento à comissão, o ex-controlador do Banco Bamerindus, José Eduardo de Andrade Vieira, revelou que a ajuda à instituição, uma das atingidas pelo programa, foi de R$ 5,8 bilhões.Ciro lembrou que, à época da criação do Proer, Serra era ministro do Planejamento. "Serra assinou o Proer. Fica dizendo que é contra a equipe econômica, que é crítico, falando em juros e tal, mas foi ministro do Planejamento por quatro anos. Portanto, membro da equipe econômica." O ex-governador do Ceará narrou também um episódio de 1994, no qual o ministro da Saúde teria colocado em risco a execução do Plano Real, provocando um telefonema irado de Fernando Henrique Cardoso à Ciro, ainda tucano. "O Fernando Henrique me ligou de Nova York, furibundo com ele (Serra), porque ele retirou o apoio do PSDB à revisão constitucional. Isso criou um grave constrangimento, que pôs o Brasil em risco de não consolidar a negociação da dívida externa, sem o que o Plano Real não era possível", disse Ciro, que era então governador do Ceará. Pedro Malan era o negociador junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).Ele contou que, em seguida, foi à casa de Serra em Brasília, acompanhado por Tasso Jereissati. Em outra reunião, essa na casa de FHC, com a presença de Covas, Tasso, André Lara Resende, Pérsio Arida, Winston Fritsch, Gustavo Franco e Clóvis Carvalho, Serra teria sido pressionado. "Serra só se declarou a favor do Real quando o Covas, em voz alta, brigou com ele. Isso tudo é absolutamente verdade. E não adianta ficar com irritação não, porque isso é histórico, tem testemunha. Um dos dois está mentindo".Ciro negou que tenha defendido Fernando Collor de Mello - que o processa na Justiça -, durante recente palestra em Maceió, quando teve dois filhos do ex-presidente na platéia. "Isso tudo é uma fraude contra mim. Fui adversário do Collor do primeiro ao último dia. Ele já foi punido, no mínimo tem o direito de ser esquecido. Boa parte dessa agressão que se faz a ele é para absolver as atuais mazelas do país, sobre as quais ninguém reflete", afirmou.Ele comentou também a ascensão da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, pré-candidata do PFL à presidência, que aparece no segundo lugar nas pesquisas, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Roseana Sarney tem essa projeção porque é duas vezes governadora, membro de um partido grande, filha de um ex-presidente da República, tem irmão ministro, foi - como é justo - hiperexposta na programação eleitoral. Não é problema nem rivaliza comigo, na medida em que é do campo do governo e eu sou do campo da oposição".

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