Ciro aposta em Chalita para desgastar tucanos

Com o objetivo de aumentar o cacife na negociação eleitoral, o PSB passou a trabalhar o nome do vereador Gabriel Chalita como plano B na disputa pelo governo paulista. A viabilidade da candidatura, no entanto, depende ainda de três fatores: que o nome tucano na corrida não seja o do ex-governador Geraldo Alckmin, de quem Chalita foi secretário da Educação; que continue o atual cenário em que os petistas não têm um candidato natural à sucessão e, por fim, que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) não entre na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

AE, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 12h33

Ontem, a cúpula do PT estadual prestigiou a filiação de Chalita, ex-PSDB, ao novo partido. A articulação foi considerada estratégica para a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e contou com a ajuda de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula.

"Há uma pretensão para que eu saia para o Senado. Quanto ao governo, eles falam, mas não é esse meu projeto", disse Chalita. Ciro, que afirma desejar disputar a Presidência, sustentou que Chalita é melhor do que ele para a missão em São Paulo. "Tenho mais experiência que ele, mas ele tem muito mais intimidade, rotina em São Paulo. Representa mais o novo do que eu. Seria a única contribuição que legitimaria um passo como esse. Não seria eu fazendo de conta, com um marqueteiro, que tenho intimidade porque nasci em Pindamonhangaba." Segundo Ciro, a candidatura de Chalita "pode causar uma desestabilização" eleitoral, prejudicando o PSDB, que há 16 anos governa o Estado.

Antes de decidir entrar no PSB, Chalita se encontrou com o governador mineiro, Aécio Neves, em Belo Horizonte. O Estado apurou que o presidenciável encorajou a ida do parlamentar para a legenda, mesmo ciente de que teria algum reflexo eleitoral para o PSDB paulista.

Após a filiação de Chalita, Ciro elogiou o PDT, dizendo ter "carinho" e "afeição" pela legenda do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, cotado para assumir a vice numa chapa encabeçada pelo PSB. Afirmou que não estará na corrida contra Dilma, mas sim contra Serra. "Não vou contra Dilma em nenhuma hipótese. Nós somos parceiros."

Chalita voltou a criticar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Disse que ele "não é um político que admira" e alegou ter sofrido retaliação e censura quando estava no partido. "Vi adversários sofrerem. Política de subsolo é uma coisa muito feia." O vereador afirmou que no PSDB "quem dá as cartas" é Serra e que foi censurado por elogiar o ministro da Educação, Fernando Haddad, e ter se encontrado com Gilberto Carvalho. Serra evitou comentar as críticas. "Não vou falar disso. Não tem a menor importância." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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