Ciro acusa Serra de usar saúde para "espetáculos de episódios"

O pré-candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, criticou hoje no Rio o ministro da Saúde, José Serra, cotado entre os tucanos para concorrer à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Ciro, o ministro "resolveu que saúde pública é um espetáculo de episódios". "O sistema de saúde pública brasileiro é podre e privatista", disse.Ele atacou também o presidente Fernando Henrique Cardoso. "O ministro optou por conciliar com toda a perversão do sistema e isso não é nem problema dele, é problema político do chefe dele", disse. Ciro referiu-se a recentes epidemias como de dengue, malária e febre amarela e citou a "mortandade de crianças".O ex-governador do Ceará considerou as campanhas de Serra à frente do ministério "todas muito interessantes" e citou as de prevenção de Aids, de diabetes e vacinação de idosos contra a gripe. "Importante, fundamental. Genéricos? Muito legal. Mas são fragmentos, é varejista. Não é enfrentar a saúde pública", continuou, defendendo a "radicalização" do Sistema Único de Saúde, acabando com a "perversidade em que 75% da verba pública está sendo entregue a hospitais particulares." O pré-candidato afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso "é conivente e complacente com a corrupção" e defendeu a criação de uma CPI para apurar principalmente a denúncia de compra de votos na aprovação da emenda de reeleição e a chamado dossiê Cayman."Quero dizer que sigo acreditando, embora já não com tanta convicção, que o presidente é um homem pessoalmente honrado. Resisto psicologicamente a acreditar nas grandes infâmias que se lançam contra nosso presidente. Mas quando o vejo receber a fina flor da fisiologia e da molecagem política brasileira no Palácio da Alvorada, onde ele mora, e deixar todo mundo ver que o negócio e não deixar uma CPI acontecer, isso é grave", atacou. Ciro Gomes esteve no Rio para lançar o Instituto Desenvolvimento com Justiça, presidido por dois de seus principais colaboradores, Roberto Mangabeira Unger e o ex-ministro da Justiça Fernando Lyra. Embora não seja vinculado ao PPS, o instituto promoverá debates que resultarão em propostas para o programa de governo de Ciro e de partidos aliados.

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