Ciro acusa Serra de omissão com esquema de fraudes

Uma semana depois do estouro da máfia do sangue pela Operação Vampiro da Polícia Federal, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, rompeu o silêncio e disse que o ex-ministro da Saúde José Serra foi omisso com o esquema de fraudes na compra de hemoderivados. Em entrevista à Agência Estado, Ciro defendeu uma ampla investigação nas compras de todos os tipos de medicamentos para o Ministério da Saúde feitas entre 1998 e 2002, período de gestão de Serra à frente da pasta."Esse caso é a evidência caricata do blefe que é a administração Serra", afirmou. "Eu não posso calcular, mas é flagrante pelo menos que sob seus olhos ou sob sua omissão acontecia isso continuadamente, numa estimativa de prejuízo de R$ 2 bilhões", disse o ministro. Ciro lembrou de acusação que fez contra Serra durante a eleição de 2002, quando ambos disputavam a Presidência da República, alardeando que havia "corrupção generalizada" no setor de saúde. "Já tinha ecos disso na época da campanha", afirmou Ciro.O ministro da Integração Nacional disse que é preciso investigar, por exemplo, o "escabroso caso da Biobrás". "Ele (Serra) é que deve se explicar", completou. O Laboratório Biobrás perdeu uma concorrência pública para vender insulina pois os impostos que pagava tornavam seus preços menos atrativos que os cobrados por uma empresa estrangeira.Nesta segunda-feira, o ex-ministro José Serra considerou "esquisito" o estouro da máfia do sangue na mesma semana em que lançou sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Ciro Gomes, por sua vez, observou que o esquema de fraude começou antes de Serra assumir o Ministério da Saúde, mas teria sido "projetado" pelo tucano e pelo governo Fernando Henrique Cardoso."Eu tinha uma lista de medicamentos com os preços que o ministério praticava comparados aos preços de mercado, e era escandaloso, não era só hemoderivados", disse Ciro. "Essas denúncias tiveram baixíssima repercussão na época da campanha porque a imprensa era bastante conivente com o seu Serra, pelo menos a maioria, é claro que havia exceções".

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