Cirilo nega, por assessoria, acusações de Vedoin

O petista cearense José Airton Cirilo, candidato a deputado federal, continua sem querer dar entrevista. Através da sua assessoria de imprensa, ele negou qualquer participação na liberação de recursos para a compra de ambulâncias superfaturadas, a chamada "máfia das sanguessugas". Ele rebateu as acusações do empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos donos da Planam, apontada como a empresa que comandava o esquema.Em depoimento à Justiça Federal, Vedoin acusou Cirilo como sendo o intermediário junto ao ex-ministro da Saúde, Humberto Costa, pela liberação de R$ 8 milhões em quatro parcelas, relativos ao pagamento de 100 ambulâncias adquiridas em 2002, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso. Com a vitória de Lula, foi baixado um decreto cancelando a liberação dos recursos empenhados.É aqui que entram, segundo Vedoin, Cirilo, José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda Filho, o Lacerdinha, sobrinho de Cirilo. Em março de 2003, o empresário disse que Diniz se apresentou a ele em um parque de exposições em Brasília, contando que estava sabendo das dificuldades para o recebimento do dinheiro e que o problema poderia ser resolvido por meio do cearense Cirillo, membro do diretório nacional do PT, e a quem teria cabido a indicação de Humberto Costa para o Ministério da Saúde.Logo depois, o empresário diz ter se encontrado com Cirilo em um flat em Brasília para repassar a lista dos municípios que receberam ambulâncias da Planam. Nesse mesmo dia os dois teriam ido ao Ministério da Saúde.De acordo com a assessoria de José Airton Cirilo, "o próprio Humberto Costa tratou de desmentir essa versão". Ainda segundo a assessoria do petista cearense, "não temos conhecimento de como operou Raimundo Lacerda Filho". "E afirmar que a indicação de Humberto Costa para o ministério é da cota de José Airton é delírio e demonstra um profundo desconhecimento da realidade política do Nordeste"."O que podemos dizer, de nossa parte, é que é mais do que natural que um agente político e uma referência pública federal seja procurado por prefeitos do Estado, sobretudo os do PT para que acompanhe seus pleitos em Brasília. Isso não é lobby e não há remuneração de espécie alguma", diz a assessoria, referindo-se a um encontro, no Ministério da Saúde, realizado em 2005, entre Cirilo e prefeitos cearenses para tratar justamente sobre a compra de novas ambulâncias."As citadas visitas ao Ministério da Saúde não têm nenhum tipo de relação com o chamado caso ´sanguessuga´ e seria descontextualização ou, no mínimo, má-fé, ligar automaticamente um acontecimento ao outro", insiste a assessoria. Ainda conforme a assessoria, Cirilo foi apresentado a Vedoin pelo sobrinho, Lacerdinha, que lhe disse se tratar de um empresário interessado em investir no Nordeste.O petista cearense teria acompanhado o empresário numa visita ao Banco do Nordeste (BNB), cuja sede fica em Fortaleza. Vedoin, na versão de Cirilo, estaria interessado em um financiamento para um suposto investimento. Mas o tal projeto não teria, segundo o petista, sequer sido aprovado pelo banco.

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