Circenses discutem direitos em Brasília

Cansados de ver a imagem do circo manchada, principalmente por políticos, circenses resolveram botar a boca no trombone em Brasília, onde iniciam hoje o primeiro seminário para tratar de direitos e deveres da categoria. "Circo não é lugar de confusão nem de roubalheira", afirma o presidente da Associação Brasileira de Circo, José Wilson Leite. Ele reclama do abuso do uso indevido de frases como "parece um circo, isto não é um circo, não sou palhaço ou isto é uma palhaçada".A Associação Brasileira de Diretores e Artistas Circenses armou um picadeiro na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, onde serão realizados hoje dois espetáculos com artistas e animais - às 11 horas e às 17 horas. O objetivo é chamar a atenção para problemas decorrentes da falta de uma legislação específica para a atividade, como inexistência de contratos de trabalho, discriminação dos artistas pelas operadoras de planos de saúde, inexistência de regras para o trato de animais, além de dificuldades em razão do racionamento de energia elétrica. A família circense acompanhou indignada as freqüentes comparações pejorativas ao circo enquanto a Comissão de Ética julgou responsabilidades sobre a quebra de sigilo do painel eletrônico. O senador Jader Barbalho, acusado de desvio de dinheiro público, também não poupa o uso da palavra "palhaçada" para defender-se das investidas dos adversários.ManifestoA frase "Temos observado comparações gratuitas e de mau gosto entre o que tem acontecido de pior na vida política do País com a atividade circense" abre o manifesto que os participantes do seminário distribuirão no Congresso Nacional e na cidade para chamar a atenção da opinião pública. Os portadores da mensagem consideram "injusta" e "equivocada" a comparação entre uma atividade profissional, desenvolvida por famílias tradicionais, e situações erradas.As comparações não se limitam ao meio político. Leite lembra que recentemente policiais militares, em São Paulo, usaram nariz de palhaço durante um protesto contra os baixos salários. "O palhaço tem o precioso dom de saber brincar e fazer rir. Grandes nomes como Carequinha, Arrelia, Piolim, dentre muitos outros, tornaram-se símbolos de gerações porque irreverentes sempre respeitaram seu público", contesta o manifesto "Circo não é trapalhada".SeminárioPor três dias, os circenses estarão reunidos em Brasília com o apoio do Ministério da Cultura debatendo relações trabalhistas entre empresários e funcionários de circo, aposentadoria antecipada aos 55 anos, atração de patrocinadores, a reserva de uma praça para montagem do espetáculo em cidades com mais de 100 mil habitantes e destinação anual de 0,10% da arrecadação de loterias para mudar figurinos e melhorar cenário e iluminação, entre tantos outros problemas enfrentados hoje pela categoria. Além destas reivindicações, os circenses querem a regulamentação do tratamento a ser dado a animais do circo, como tamanho das jaulas e tipo de alimentação. Até ontem, Leite não havia conseguido nenhum político disposto a emprestar a assinatura para um projeto de lei com esse conteúdo. Mas o texto será entregue na quinta-feira ao presidente interino do Congresso, senador Edison Lobão (PFL-MA), e ao da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG).

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