Cinegrafista nomeado para superintendência do Iphan de Minas deixa o cargo

Jeyson Dias Cabral Silva alegou motivos pessoais para sair; pressão de representantes da área de cultura teve peso na decisão

Leonardo Augusto, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 13h32

BELO HORIZONTE - Pouco mais de duas semanas após ser nomeado superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Minas Gerais, o cinegrafista Jeyson Dias Cabral Silva alegou motivos pessoais e pediu para deixar o cargo. A pressão de representantes do meio cultural no Estado, no entanto, teve influência na decisão, segundo o deputado federal Charlles Evangelista (PSL-MG), responsável pela indicação.

A nomeação de Jeyson ocorreu em 25 de setembro. O pedido de exoneração foi feito no último dia 11. O cinegrafista substituiu a museóloga Célia Corsino, especialista em administração de projetos culturais. A exoneração de Jeyson ainda não foi publicada no Diário Oficial.

O cinegrafista já foi lotado no gabinete do hoje deputado Charlles Evangelista à época em que o parlamentar era vereador em Juiz de Fora. Evangelista afirmou que o cinegrafista saiu por motivos pessoais e que o consultou antes de tomar a decisão. "Ele me pediu orientação e achei melhor (que saísse)." O parlamentar, porém, reconheceu que a pressão de representantes da área da cultura contribuiu para que o aliado deixasse o cargo. "Acaba que influencia", disse.

À reportagem, por telefone, Jeyson afirmou apenas que entrou com o pedido de exoneração no dia 11 de outubro. O cinegrafista divulgou a seguinte nota: "Gostaria de agradecer a confiança depositada em mim para a indicação do cargo. Desde a minha nomeação até a posse ocorreram imprevistos familiares, pessoais que me impossibilitariam de dedicação exclusiva à função. Solicitei minha exoneração dentro de todos os prazos conforme a Legislação. Solicitei minha exoneração dia 11 de outubro de 2019".

A argumentação de pessoas contrárias à nomeação do cinegrafista ao cargo chamava atenção para a falta de capacidade técnica de Jeyson. Minas Gerais tem um dos principais acervos do patrimônio histórico cultural do País, ao lado de Estados como Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Ângelo Oswaldo, ex-presidente do Iphan nacional, um dos críticos da indicação de Jeyson, disse que a decisão do cinegrafista de sair do posto demonstra bom senso. "Anulou a insensatez da aceitação do convite e demonstrou bom senso, que tem faltado ao mundo político atual. Espero que a presidente Katia Bogéa seja respeitada e tenha liberdade de escolher uma pessoa adequada à missão".

Responsável por duas igrejas do século XVIII na cidade histórica de Congonhas, a de Nossa Senhora da Conceição, de 1734, e Nossa Senhora do Rosário, de 1760, o padre Paulo Barbosa disse que a escolha do ocupante do cargo de superintendente do Iphan em Minas precisa passar pela análise de currículo. "E tem que ser alguém com muito gosto pela arte e cultura. "É preciso pensar no todo, na cultura, no desenvolvimento econômico, e não pensar a partir do partido. Tem que pensar em uma representatividade a favor do povo. Agora não é mais campanha política. É serviço à arte e à preservação patrimonial".

A reportagem aguarda retorno do Ministério da Cidadania, ao qual está vinculado o Iphan.

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