Cinegrafista morto na explosão fez as últimas imagens do VLS

A profissão de Luiz Cláudio de Almeida o levou, sem querer, à tragédia de Alcântara, onde morreram 21 pessoas, na sexta-feira, em conseqüência da explosão do Veículo Lançador de Satélite (VLS) na Base de Alcântara, em Maranhão. Piloto comercial, um dia antes de embarcar para Fortaleza, ele teve sua escala transferida para São Luís. Ficou alegre pelo fato de poder almoçar arroz com cuxá - a comida típica do Maranhão - com o irmão José Eduardo de Almeida. Mas quando fez uma escala em Brasília, soube do acidente com o VLS, justamente onde José estava trabalhando como cinegrafista. Quando chegou ao destino final da viagem descobriu que o irmão era uma das vítimas. "Mesmo assim, não acreditava que ele estava lá", diz Luiz. "Ele não via a hora do VLS subir", afirma Luiz Almeida, que hoje é o único representante das famílias dos mortos em São Luís. A coincidência da viagem também não foi a única. No mesmo dia em que José Eduardo morreu, completava dois anos da morte da mãe de ambos, Maria Aparecida. Até hoje, o pai não sabe o que ocorreu com o cinegrafista. "Ele ainda está se recuperando do falecimento de nossa mãe", afirma Luiz Cláudio. O cinegrafista, que tinha 38 anos, deixou a mulher, Adriana Helena e três filhos, Bruno, de 13 anos; Marina, de 11, e Vinícius, de 2. Seu corpo ainda não havia sido reconhecido até a noite deste domingo. A esperança da família era que ele pudesse ser reconhecido através de uma corrente. Hoje, quando esteve no Instituto Médico Legal (IML) de São Luís, o piloto assistiu as últimas imagens gravadas do VLS, justamente feitas por seu irmão. Com lágrimas nos olhos, Luiz Cláudio soube que as filmagens havia sido feitas para serem exibidas antes do lançamento, que ocorreria nesta quarta-feira.

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