Cinco Estados têm tribos não-contatadas

Para sertanista, sobrevivência de grupos depende de pressão internacional

, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

De acordo com a Funai, no território brasileiro está confirmada a presença de índios isolados em cinco Estados da Amazônia: Mato Grosso, Amazonas, Acre, Rondônia e Maranhão. Estima-se que a maior população deles se encontra justamente ao longo da fronteira do Acre com o Peru, num conjunto de três terras indígenas reservadas especialmente para eles.Não se sabe ao certo quantos povos vivem ali, nem o tamanho exato da população - estimada entre 600 e 1.000 índios. Uma parte é formada por nômades e outra por grupos que vivem de maneira estável em malocas.A região já foi considerada uma das mais seguras e bem conservadas do País. No conjunto, somando os territórios dos povos não isolados ao redor e as áreas de conservação, são quase 2 milhões de hectares.De acordo com o sertanista José Carlos Meirelles, os índios sempre passaram de um lado para o outro da fronteira. "Existe um calendário implícito entre eles", disse. "Os nômades sabem que, numa certa época do ano, podem ir para determinado local, na cabeceira de um rio, por exemplo, porque o povo que fica ali se desloca naquela época do ano. Eles dividem o território e o uso dos recursos naturais. Agora estou notando que os mascho-piro, que sempre andam por uma determinada parte do território no verão, começaram a ir para lá também no inverno. Significa que outro grupo está sendo expulso. O calendário bagunçou, por causa de madeireiras e garimpeiros."Meirelles já esteve no Peru, acompanhado por representantes da Funai, para discutir os problemas com o governo de lá. "Já ouvi muitas declarações de boas intenções, mas não aconteceu nada de concreto", contou.Seus apelos em defesa dos isolados são ampliados ao redor do mundo por uma organização não-governamental com sede em Londres, a Survival International. Em seu site na internet encontram-se recomendações aos simpatizantes para que enviem mensagens ao governo peruano e aos embaixadores daquele país no exterior, pedindo providências.Em recente entrevista à revista National Geographic, Meirelles disse que a única esperança dos índios é a reação internacional: "Infelizmente, o destino dos isolados não está na mão deles".

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