Cientistas políticos dizem que Eduardo Paes, ex-tucano, pode redefinir cenário

A posição do PMDB determinará o rumo da eleição à Prefeitura do Rio, apostam cientistas políticos ouvidos pelo Estado. "O jogo depende da decolagem da candidatura de Eduardo Paes", diz Geraldo Tadeu Moreira, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS)."O PMDB não vai ficar num barco destinado a afundar", avalia Moreira, referindo-se à pré-candidatura de Solange Amaral (DEM), ligada ao prefeito Cesar Maia e com apoio de um setor dos peemedebistas. Outro pesquisador, Carlos Eduardo Sarmento, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aponta direção semelhante. "O grande impasse é a posição do PMDB. O legado de Garotinho tem alto índice de rejeição, ninguém vai querer se aproximar dele. O mesmo ocorre com Maia." Os dois pesquisadores vêem na possibilidade de Paes ser candidato o fator que pode reordenar o quadro político.A indefinição no PMDB do Rio está na divisão do partido em três principais grupos, encabeçados por Cabral, Garotinho e o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani. Ao tirar Paes do PSDB - onde fez críticas pesadas ao governo Lula, durante a CPI dos Correios, em 2005 -, Cabral reagiu à aliança firmada por Picciani e Garotinho com o DEM de Maia.O problema é que, para lançar seu candidato, Cabral precisa desequilibrar o jogo, trazendo Picciani para o seu lado. Ele tem investido nisso. No mês passado, viajou para o exterior com seu vice e deixou o governo nas mãos de Picciani, com direito até a agenda de inaugurações. A Garotinho e Picciani não interessa que Cabral faça o prefeito da capital, proeza que um governador fluminense não consegue desde 1985, quando Leonel Brizola elegeu Saturnino Braga. Picciani quer manter o equilíbrio no partido e Garotinho posiciona-se como candidato à sucessão de Cabral, que se tornou seu principal desafeto. O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos lembra que será a primeira eleição com Cabral no Executivo. "Ele tem muito prestígio, mas não é o candidato. Falta o nome", diz Santos, que acha cedo para previsões. Lembra, ainda, a diferença entre o eleitorado da capital, do interior e da Baixada Fluminense, que seria mais propício a seguir caciques.

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