Cientistas dizem ter descoberto gene do cabelo rebelde

Cientistas americanos descobriram uma família de genes que pode ser a responsável pelo aparecimento de fios de cabelo rebeldes. O primeiro gene, batizado de Fz6 ou frizzled 6 ("encrespado 6", na tradução literal), poderia explicar porque as pessoas têm o cabelo encaracolado ou sobrancelhas muito grossas. A pesquisa, realizada pela Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS, na sigla em inglês). Apesar de ter sido isolado apenas em camundongos, o gene deve estar presente também no organismo de seres humanos, na avaliação dos cientistas.A busca pelo gene começou com a observação de tufos de pêlos grossos e rebeldes na cabeça de camundongos aparentemente normais e saudáveis. Os pesquisadores examinaram os pêlos no microscópio e descobriram que eles também tinham uma aparência normal, o que os levou a constatar que o sentido em que o cabelo cresce, bem como a sua textura, são aparentemente controlados por células da pele ao redor da base do cabelo, em vez de na raiz propriamente dita.Os genes estariam atuando no interior dessas células. Os cientistas esperam que a pesquisa tenha uma série de aplicações médicas no futuro, já que provavelmente há uma família inteira de genes "encrespados".Outras funções no corpo humano associadas às famílias desses genes podem incluir o desenvolvimento de vasos sangüíneos no olho e também determinar a direção do crescimento dos nervos na medula espinhal.Para Jeremy Nathans, um dos cientistas responsáveis pelo estudo, os genes provavelmente desempenham ainda um importante papel no desenvolvimento do embrião.Os genes encrespados foram inicialmente descobertos em moscas-da-fruta, organismos nos quais esses genes controlam funções como o aparecimento de pêlos nas asas e em outras regiões. Uma pesquisa recente sugeriu ainda que a orientação do sentido do crescimento dos pêlos acabaria determinando se organismos, incluindo seres humanos, seriam canhotos ou destros - ou seja, a atuação desses genes também pode influenciar o maior uso de regiões cerebrais específicas.

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