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Cientista político sugere diversificação do discurso

Apesar do crescimento apresentado pelo PV nos últimos anos, especialistas insistem em que o partido terá de enfrentar muitas dificuldades se quiser de fato se colocar como uma alternativa para o eleitorado brasileiro. "Um partido que se pretende verde é um partido que já tem um princípio de vida complicado", avalia o cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ele, o partido enfrenta a difícil tarefa de diversificar seu discurso, principalmente se considerado o avanço de outras legendas em direção à questão ambiental. "Qualquer partido monotemático será sempre um problema. Se ele não souber diversificar suas propostas, algum outro partido com um discurso mais rico acaba se apoderando de sua temática", completou Wanderley Reis. O cientista político ressalta que todos os partidos tendem a dar destaque à questão ambiental no futuro próximo, para atender à demanda de um eleitorado cada vez mais consciente desse problema.Para o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antônio Carvalho Teixeira, o fato é que o modelo dos partidos verdes que se espalhou por todo o mundo não conseguiu deslanchar no Brasil. "É um modelo que não colou", diz o especialista. Na sua avaliação, o quadro que se vê hoje no PV é contraditório e paradoxal, já que entre suas principais lideranças há até representantes do setor industrial, tradicionalmente vistos como agressores da natureza. "O perfil dos parlamentares do PV está longe da causa que deu origem ao partido", afirma. Segundo Carvalho Teixeira, a contradição aparece também no relacionamento com o Palácio do Planalto. "O PV está na base de governo e sua principal liderança, que é o Fernando Gabeira, faz oposição ao governo." Para o cientista político, o futuro "não é nada promissor para a legenda". "Se o PV não se apresentar como alternativa, não fizer o debate de forma relevante, ele continuará sendo um partido coadjuvante no cenário político nacional."

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