Cientista político diz que pesquisa inviabiliza candidatura Serra

A vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida por mais um mandato presidencial, apontada pela pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira, praticamente inviabiliza a candidatura do prefeito José Serra (PSDB) ao Palácio do Planalto. A avaliação foi feita pelo cientista político Fábio Wanderley Reis, que considera que a opção do partido por Serra "seria temerária e não faria sentido".Ele acredita que, mesmo com um nível de rejeição alto de 35,8%, a reeleição do presidente não pode ser desconsiderada. "Acho que o Lula volta a ser um candidato muito forte, mas longe de ser um candidato imbatível porque tem uma taxa alta de rejeição. Mas de toda maneira é o candidato favorito". Do ponto de vista da disputa interna no PSDB, o resultado da pesquisa é uma ótima notícia para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, "pois desincentiva fortemente a candidatura Serra".Para o cientista e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), se fosse escolhido para confrontar Lula na disputa, Serra ainda teria o ônus de deixar a prefeitura paulista, que ocupa há pouco tempo, além de ter assumido o compromisso de não abandonar o cargo. De qualquer forma o partido possui outro candidato com alguma viabilidade. Ele acredita, inclusive que os dados de pesquisa como esta poderão motivar o PSDB a definir rapidamente o nome que irá disputar a presidência. "A tendência é que eles (PSDB) se apressem, até porque, Lula está fazendo campanha sozinho", disse.Fábio Wanderley comentou ainda as informações de que Serra teria delegado ao partido a definição sobre o seu destino pessoal e de que só aceitaria participar da disputa à Presidência, e renunciar à prefeitura de São Paulo, se esta fosse uma decisão dos tucanos. "Independentemente de onde venha a iniciativa, mesmo que haja um certo empenho do partido está longe de ser certo que seja do interesse dele a se lançar como candidato, se for tomado como base o resultado de uma pesquisa como essa", avaliou.O cientista acredita ainda que a diferença entre Lula e o outro pré-candidato tucano, Geraldo Alckmin (51,3% a 29,7% das intenções de voto), não significa que o governador não possa crescer nas pesquisas. "Eu acho que ele (Alckmin) tem razão quanto à idéia de que na dinâmica da campanha se tornar mais conhecido", disse.

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