Cientista britânico defende pesquisa em embriões

O Professor John Harris, da Universidade britânica de Manchester, fez hoje uma defesa calorosa e bem humorada da necessidade de manter os investimentos em pesquisa sobre células tronco e embriões. Para o professor, que é membro da Comissão Britânica sobre Genética Humana, não existem motivos que justifiquem a interrupção de estudos que podem salvar vidas no futuro. "Existe alguma razão moral para mantermos a natureza humana como está, ao invés de buscar mudá-la para melhor?", questionou Harris, durante sua palestra no 6º Congresso Mundial de Bioética, que termina hoje na capital federal.Harris conseguiu arrancar risos da platéia ao lembrar que mesmo em relações sexuais "normais", cinco embriões acabam morrendo e apenas um irá gerar um novo ser humano. "Acho que todos concordam que esse é um preço que pode ser pago para termos relações sexuais", brincou. O professor de bioética da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Marco Segre, também defendeu a manutenção das pesquisas embrionárias. "A discussão ética tem que ser sobre a forma de uso de uma técnica e não sobre a técnica em si", argumentou.O cientista chileno Fernando Lolas, que participou junto com Segre como debatedor da mesa-redonda do professor britânico, trouxe um componente mais político para a discussão durante o Congresso. Para Lolas, o tema gera, particularmente na América Latina, um impasse político, uma vez que os governos precisam decidir se devem investir nestas pesquisas ou direcionar esses recursos para a solução de problemas mais imediatos.Mesmo diante desse impasse, Lolas defendeu que todos os países precisam participar ao menos do debate sobre as pesquisas embrionárias e as possibilidade de clonagem de órgãos e seres humanos. "As fronteiras nesta área são financeiras mas não existem fronteiras para as conseqüências do desenvolvimento desses estudos", salientou o professor chileno.

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