Cidades menos habitadas são as mais pobres, diz IBGE

Os municípios com menor número de habitantes são os que apresentam as menores rendas domiciliares per capita do País, segundo a pesquisa de Indicadores Sociais Municipais divulgada hoje pelo IBGE. Nas cidades com até 5 mil habitantes, 37% dos domicílios tinham renda de até meio salário mínimo em 2000, enquanto nos municípios com mais de 500 mil habitantes o porcentual de domicílios com rendimento neste limite era bem menor, de 15,6%. Por outro lado, nas cidades com menos de 5 mil habitantes apenas 13,2% dos domicílios tinham renda acima de dois salários mínimos, enquanto nos municípios de mais de 500 mil habitantes esse porcentual subia para 44%. Educação - A população dos municípios de menor porte sofre mais também no que diz respeito à educação. Os menores municípios apresentam maior "analfabetismo funcional" (pessoas com menos de quatro anos de estudo). Segundo o IBGE, em 2000, a ocorrência do analfabetismo funcional foi mais intensa nos municípios com menos gente, passando de 39% da população nos locais com até 5 mil habitantes para 15,6% nos municípios mais populosos (mais de 500 mil habitantes). Vulnerabilidade - A pesquisa mostrou que 22% dos domicílios apresentavam "alto grau de vulnerabilidade" em 2000, o que significa rendimento domiciliar de até meio salário mínimo per capita, pessoa responsável pelo lar com menos de quatro anos de estudo e presença de crianças com até 14 anos. Os municípios com essas três condições "constituiriam potenciais alvos de políticas públicas específicas de inclusão social". Idosos - Os idosos representam uma importante contribuição para o rendimento dos domicílios brasileiros, diz a pesquisa. Em todo o País 27% deles são responsáveis por mais de 90% do rendimento familiar. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, 27,4% dos idosos contribuem com mais de 90% do rendimento mensal familiar. No caso dos municípios acima dos 5 mil habitantes, 25,2% dos idosos contribuem com mais de 90% do rendimento mensal da família. A pesquisa mostrou também que em 2000, no Brasil, 66,8% das pessoas de 60 anos ou mais estavam aposentados e 11,2% eram pensionistas.Carteira assinada - O porcentual de trabalhadores com carteira assinada é muito menor nos municípios de pequeno porte do que nas cidades maiores. Enquanto nos municípios com até 5 mil habitantes o número de empregados com carteira era equivalente a 18,3% dos ocupados no ano 2000, nas cidades acima de 500 mil habitantes esse porcentual subia para 44,1%. Segundo os técnicos do IBGE, isso ocorre devido ao perfil mais rural dos municípios menores.

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