Cidade paulista constrói laboratório de genéricos

A prefeitura de Sales Oliveira, cidade de 9.300 habitantes da região de Ribeirão Preto, está construindo um laboratório para fabricar medicamentos genéricos. O objetivo inicial é atender, em quatro meses, as 560 famílias cadastradas pela assistência social do município, mas o prefeito Daniel Graton (PT) afirmou que o serviço deverá estender-se para cerca de dez outras cidades da região, através de um consórcio. "A intenção é fortalecer a região e economizar em medicamentos", disse Graton.A idéia de construir o laboratório surgiu quando Graton visitou o de Águas de Santa Bárbara, na região de Bauru, que também tem um consórcio regional. "Ao saber que os laboratórios lucram entre 5.000% e 6.000%, resolvi construir um laboratório aqui", explicou ele. As obras do prédio, de cerca de 200 metros quadrados, no centro de Sales Oliveira, começaram há 40 dias num terreno da prefeitura e devem terminar em dois meses. Serão investidos R$ 50 mil na obra, além de igual quantia com equipamentos do laboratório.Graton, químico industrial, quer produzir remédios com qualidade, mas sem pressa. Por isso, os primeiros 25 produtos serão sólidos (embalados em cartelas): remédios para hipertensão antibióticos e anti-inflamatórios. Os remédios líquidos e materiais usados na rede hospitalar serão produzidos a partir de 2002. Uma farmacêutica e uma recepcionista serão contratadas, mas com a ampliação regional, o número de funcionários deverá chegar a dez."O que animou a criar o laboratório foi a tramitação, no Congresso Nacional, de uma lei que autoriza a formação de consórcios nesse sentido", explicou Graton. A comercialização dos produtos com as prefeituras vizinhas devem começar em seis meses. "Elas comprariam remédios com preços dez vezes inferior ao de mercado e o lucro do laboratório será investido na própria área." Segundo ele, um medicamento de marca, que custa R$ 80,00 deverá ter o seu genérico custando R$ 8,00. "E esse valor representa um lucro de até 300% para o laboratório", comenta ele.Segundo o prefeito, a meta não é praticar o assistencialismo, mas quem não puder pagar pelos remédios genéricos poderá recebê-los gratuitamente. Graton acredita que os laboratórios de marca podem sentir-se prejudicados e mover ações contrárias ao consórcio. Por isso, encaminhou as informações ao departamento jurídico do município. "Temos de avaliar o nosso campo de atuação para não ter problemas", explica ele.

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