Cidade de Rosana comemora prisões

Polícia prendeu seis dos nove vereadores da cidade, incluindo o presidente da Câmara, Valtemir Santana

Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

Os moradores do município de Rosana, que fica no Pontal do Paranapanema (SP), ainda soltavam fogos de artifícios ontem de manhã para comemorar a prisão das 36 pessoas acusadas de integrar uma quadrilha que teria desviado R$ 60 milhões dos cofres da prefeitura. A Operação Mexilhão Dourado, da Polícia Civil, prendeu seis dos nove vereadores da cidade, incluindo o presidente da Câmara, Valtemir Santana. A festa começou no dia anterior, quando uma multidão se posicionou na frente da Delegacia de Polícia de Rosana para receber os vereadores presos. A cada viatura que chegava com um deles, os policiais eram aplaudidos, enquanto os acusados eram vaiados e xingados e os rojões, disparados. Em Porto Primavera, distrito de Rosana, podia-se ver faixas com os nomes dos vereadores detidos. "Estes são os vereadores que traíram o povo", dizia uma delas. "O povo de Rosana agradece o Judiciário e confia na Justiça", dizia outra na frente do fórum.Segundo o delegado da Polícia Civil Maurício Freire, os desvios tinham por base um convênio de compensação ambiental firmado entre a Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp) e a prefeitura. A companhia repassou à administração municipal R$ 94,146 milhões em três anos para obras de benfeitorias. Desse montante, R$ 58,846 milhões foram desviados pela quadrilha, que superfaturava as obras e, algumas vezes, nem sequer tirava os projetos do papel. Os vereadores, segundo as investigações, recebiam propinas mensais que chegavam a R$ 15 mil. "Esperamos que as disputas políticas e as roubalheiras acabem e que nosso povo possa ter um pouquinho de desenvolvimento", disse José Luís Oliveira, dono de um bar na cidade, de 20 mil habitantes. No atual mandato, o município teve quatro prefeitos e a atual, Maria Aparecida Dias de Oliveira (PMN), ainda enfrenta processo de cassação na Câmara. Ao assumir, Maria Aparecida decretou estado de emergência de 90 dias e demitiu 40 funcionários. "Peguei a prefeitura quebrada, com telefones cortados, sem merenda escolar, com médicos e dentistas parados por falta de salários, equipamentos hospitalares e odontológicos quebrados, Corpo de Bombeiros sucateado e o município com uma dívida de R$ 40 milhões", disse.A partir de segunda-feira, a prefeitura, segundo a assessoria de imprensa, volta a atender o público, com o fim do regime de emergência. "Só não consegui pagar a dívida porque essa quadrilha não deixou recursos nem para isso", afirmo a prefeita. Ela atribui aos vereadores presos a responsabilidade pela comissão processante para cassá-la. "Eu não aceitei as propinas e eles montaram essa comissão." RECESSONa Câmara Municipal, que está em recesso, mas precisa votar matérias do Executivo em sessões extraordinárias, os vereadores que restaram vão esperar uma decisão da Justiça sobre os colegas para decidir o que fazer. "Vamos esperar o fim do prazo da prisão temporária, se eles forem soltos, eles reassumem os cargos; se tiverem prisão preventiva decretada, os suplentes assumem", explicou o vereador Janilson Cavalcanti (PTB). "Acho que o Ministério Público tem que pedir o afastamento deles para que os suplentes assumam e a Câmara possa discutir a situação e caminhar em frente", afirmou o vereador Jeovane Bezerra (PT). Ele disse que, se o Ministério Público e a Justiça não afastarem os vereadores, ele pedirá o afastamento.

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