Cid quer irmão Ciro na corrida presidencial, não na paulista

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), é um dos maiores defensores da candidatura de seu irmão e companheiro de partido, deputado Ciro Gomes (CE), à Presidência da República no que ano que vem. Na contramão das articulações entre PT e PSB para lançar Ciro ao governo de São Paulo em 2010, Cid diz se preocupar com uma campanha plebiscitária para o Palácio do Planalto, que seja disputada por um candidato forte da oposição - vaga disputada pelos governadores tucanos José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas - e outro da situação, no caso a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff."É temerário ir para a eleição com apenas um candidato da base do governo. O governador José Serra poderia ganhar no primeiro turno. A presença de Ciro pode assegurar um segundo turno, com a ministra Dilma Rousseff ou com ele", acredita o governador, dizendo acreditar que seu irmão ficaria em segundo lugar na disputa. "Acho que o Ciro pensa como eu, que é importante o projeto nacional. Mas ele é uma pessoa de partido e vai respeitar o que for decidido", completa o governador. A possibilidade de Ciro concorrer em São Paulo ganhou fôlego após Lula orientar o PT a levar a tese "a sério". Esta semana, o presidente assumiu a dianteira da negociação, ao receber em almoço o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos. Os dois acertaram para a semana que vem um encontro para discutir o assunto, com a presença de dirigentes das duas siglas. Para Cid, a candidatura de Serra ao Planalto "não é imbatível, mas é consistente". O governador destaca que o fato de Lula ostentar altos índices de popularidade não significa que ele será capaz de transferir diretamente esses votos para Dilma. "Claro que o apoio do presidente é forte, muita gente vota no candidato dele. Mas muitos eleitores vão ver os candidatos. É nesse campo que entra o Ciro." Segundo Cid, Ciro "está trabalhando" e viajando pelo País. O governador cita pesquisas de intenção de voto que mostram o deputado, ex-ministro da Integração Nacional de Lula, em terceiro lugar, bem próximo de Dilma. Serra, por sua vez, aparece na dianteira do levantamento. Ele aponta que, em algumas simulações nas quais Aécio ocupa o lugar de Serra, Ciro chega a liderar as intenções de voto. "É um potencial que não pode ser desprezado", sustenta.

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