Cid negocia 'saída pacífica' do PSB

Governador do Ceará quer impedir que seguidores tenham mandatos reivindicados pela legenda

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2013 | 20h57

BRASÍLIA - De malas prontas para deixar o PSB, o governador do Ceará, Cid Gomes, negociou na segunda-feira, 23, com o colega de Pernambuco, Eduardo Campos, uma forma pacífica para sua provável saída da legenda. "Eu disse ao Eduardo: ou a gente fica ou a gente sai em paz", contou Cid ao Estado.

Cid não quer que ele e seus seguidores sejam "perseguidos" por Campos e foi esse o acerto feito com o governador de Pernambuco, presidente nacional do partido e possível candidato ao Palácio do Planalto, em 2014.

Na prática, Cid obteve de Campos o compromisso de que ele não lutaria para reaver os mandatos de quem saísse do PSB. "No nosso caso isso está pactuado. Se sairmos, nenhum mandato será questionado. Embora a meu juízo a melhor posição seja a saída, não posso antecipar nada sem ouvir os deputados e candidatos do meu partido", afirmou o governador do Ceará ao Estado.

O governador do Ceará apoia a candidatura da presidente Dilma Rousseff a um segundo mandato e entrou em rota de colisão com Campos, que pretende disputar a vaga no ano que vem. Na semana passada, a Executiva Nacional do PSB decidiu entregar os cargos no governo Dilma, incluindo os dois ministérios controlados pelo partido (Integração Nacional e Portos). Cid foi voto vencido.

"Eu acho que a hora de o PSB ter candidato próprio à Presidência da República não é agora. É 2018. Mas não sou quinta coluna. Não quero brigar com ninguém", argumentou ele.

O ministro da Integração, Fernando Bezerra, esteve no Planalto na última quinta-feira munido da carta de demissão, mas Dilma pediu a ele que ficasse mais uma semana no cargo. A presidente viajou para Nova York, para a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e não queria escolher o sucessor de Bezerra - ligado a Campos - de forma precipitada.

Ao Estado, Cid disse que o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, seu afilhado político, também deve deixar a pasta, mesmo com a desfiliação do PSB. No Palácio do Planalto, porém, o comentário é que o ministério dos Portos continuará sob influência de Cid e de seu irmão Ciro Gomes, ex-ministro do governo Lula e atual secretário da Saúde do Ceará.

Além dos ministérios, o PSB tem ainda as presidências da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), diretorias da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevaf), da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene ) e do Banco do Nordeste.

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