Cid Gomes: 'País fica ingovernável sem a CPMF'

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu hoje a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo ele, sem a receita anual dessa contribuição - de cerca de R$ 40 bilhões - o governo corre o risco de quebrar e isso terá repercussões no mercado e na vida das pessoas. "Se o governo federal perder do dia para a noite essa receita, os juros vão subir e a inflação vai voltar, porque o governo não vai conseguir honrar os compromissos que tem", destacou. "Este País ficará ingovernável se a partir de janeiro de 2008 não contar com a CPMF", frisou. "Quem vai perder, em primeiro lugar, são os empresários porque pode explodir juros e inflação, será o caos", completou. Ainda na defesa da prorrogação da contribuição, o governador do Ceará afirmou: "Qualquer governo, de qualquer presidente, de qualquer partido hoje precisa da CPMF. Nenhum partido consegue governar o Brasil sem essa contribuição e se (a sua prorrogação) for rejeitada, será o caos no Brasil." Na sua avaliação, a disposição que o PSDB tem demonstrado em negociar se dá pelo fato de esse partido já ter sido governo e ter a perspectiva de, no futuro, poder vir a ser governo de novo. Para Gomes, fala-se muito que o governo federal está com superávit "porque inventaram um tal de conceito de superávit primário que é as despesas do governo menos os juros, como se juro não fosse uma despesa que o governo tivesse de honrar". E destacou que o governo federal, cuja dívida é de mais de R$ 1 trilhão, não consegue pagar anualmente metade dos juros. "O que se coloca agora é que o governo não tenha mais R$ 40 bilhões de receita (CPMF). Se com isso ele já não paga nem os juros da dívida, sem essa receita ele quebra", disse. Na palestra aos empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), ocorrida hoje em São Paulo, o governador já havia dito que o Brasil não pode abrir mão de uma receita de cerca de R$ 40 bilhões ao ano e que o argumento de que o governo federal tem superávit é "falacioso, porque não se consegue nem mesmo pagar os juros da dívida". E que se o governo não contar com esse volume de receita, será obrigado a subir juros e isso vai refletir nos índices de inflação. "Ninguém ganha com isso", afirmou. Para o governador, o País não resiste a uma suspensão brusca de uma receita como a da CPMF. "Isso não tem a ver com ideologia e eu não estou aqui defendendo o governo do presidente Lula. Temos de discutir esse tema de forma direta e transparente. A dívida é o grande problema do País e esse é o foco da questão", destacou. No seu entender, se a prorrogação não for aprovada, o governo terá de buscar outras fontes de receita, aumentando, por exemplo, Cofins, as alíquotas do Imposto de Renda e outras contribuições.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.