Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cid deixa sessão na Câmara após ser chamado de palhaço

Após intenso bate-boca na Casa, ministro da Educação teve microfone cortado e deixou o plenário para ir conversar com a presidente Dilma e anunciar sua demissão

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2015 | 18h29

Brasília - A participação do ministro da Educação, Cid Gomes, na comissão geral da Câmara dos Deputados foi encerrada repentinamente com um bate-boca entre o ministro e o deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ). Ao ser chamado de "palhaço" pelo parlamentar e ter o microfone cortado pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Cid deixou o plenário e a sessão foi encerrada. Segundo o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), Cid seguiu direto para reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, na qual anunciou sua demissão. 

Após uma sequência de discursos pedindo sua saída do cargo, Cid teve 10 minutos de direito de resposta. Ele iniciou sua fala repetindo que tinha profundo respeito pelo parlamento e que defendia a harmonia entre os poderes. "Estou aqui com toda humildade e com respeito ao parlamento brasileiro", declarou. O ministro voltou a dizer que não tinha problemas em se desculpar com quem se julgou agredido injustamente. 

Ao citar o momento de dificuldade do governo, Cid citou a pesquisa Datafolha demonstrando a impopularidade que o governo Dilma enfrenta no momento. Para ele, o levantamento mostra a visão que a população tem sobre os poderes. 

Com uma postura de enfrentamento, Cid voltou a dizer que alguns partidos querem criar dificuldade para obter mais ministérios. "Uns tinham cinco e agora têm sete. Logo vão querer a presidência", provocou o ministro em um discurso indireto ao PMDB. "Tenho convicção de que Dilma é vítima de setores da sociedade, como políticos e empresários", enfatizou. 

Em tom altivo, o ministro condenou o oportunismo de alguns parlamentares da base aliada em momento de crise e disse que, "se alguém está mal, ele (Cid) vai querer ajudar". "Perdoem-me, mas não posso dizer aqui que eu não disse o que eu disse", reiterou Cid. 

Na primeira intervenção após seu discurso, Zveiter disse que Cid agia premeditadamente para piorar a relação entre governo e parlamento. Na avaliação do deputado, Cid queria "pular fora" de um barco "prestes a afundar". "Não tem volta, temos de interpelá-lo no STF", reforçou, para em seguida chamá-lo de "palhaço". Cid pediu respeito e começou a discutir com Zveiter. Cunha cortou o microfone do ministro e disse que ele não podia rebater o parlamentar daquela forma. Com a saída de Cid no meio da sessão, Cunha encerrou a comissão geral avisando que entrará com ação judicial contra o ministro. "Essa Casa terá de reagir e não resta a menor dúvida disso", avisou o peemedebista.

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