Cid corre contra o tempo para definir candidato no Ceará

Governador do Estado está em dúvida sobre cinco possíveis indicações para sua sucessão ao cargo

Carmem Pompeu, especial para O Estado , O Estado de S. Paulo

24 Junho 2014 | 20h10

Fortaleza - O governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), ainda não conseguiu fechar uma chapa para concorrer à sua sucessão nas eleições de outubro. O prazo para realização das convenções se encerra na próxima segunda-feira, 30, mas as candidaturas podem ser registradas até o dia 5 de julho.

Um dos principais interlocutores do governador, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PROS), que também é médico, acredita que o desmaio de Cid Gomes, domingo, durante discurso na convenção do PDT cearense, tem relação com o contexto político.

"Em momentos que antecedem decisões importantes, é muito natural que se agudize esse quadro. Isso aliado a uma alimentação fora de horários adequados", afirmou Roberto Cláudio.

Ao desmaiar, Cid foi amparado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, e pelo vice-governador Domingos Filho. Os dois, ao lado do deputado Mauro Filho, da ex-secretária de Educação, Izolda Cela, e do ex-ministro dos Portos, Leônidas Cristino, disputam a indicação dele para encabeçar a chapa governista. Zezinho carregou Cid nos braços, ajudado por Domingos Filho.

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Nos bastidores, comenta-se que Zezinho tem a preferência do governador para sucedê-lo. Mas Roberto Claudio nega que a decisão já tenha sido feita.  "De fato, ainda não há nenhum desfecho. Muita gente diz que já está decidido. Isso é conversa fiada. Eu tenho participado dessas conversas. Há um respeito muito grande do governador ao tempo e à própria expectativa da aliança. Vamos exaurir o diálogo para a gente chegar a uma decisão madura e que não cause traumas", disse o prefeito. "Até a próxima sexta-feira (27/06), antevéspera da convenção, vamos definir os nomes que representem esse sentimento de continuidade para poder cristalizar e solidificar os avanços do Cid com algumas mudanças em áreas específicas", completou.

Foi a segunda vez este ano que o governador cearense passou mal em um palanque. Em abril, também quando discursava, desmaiou durante inauguração de uma policlínica no interior cearense.  Na ocasião, Cid também estava envolto numa situação de escolha: deixar ou não o governo para tornar o irmão, Ciro Gomes, elegível.  Acabou não renunciando.

Nos últimos dias, Cid tem sido pressionado por partidos de sua base a anunciar o nome que terá seu apoio ao governo. Recebe ainda pressão pela vaga de candidato ao Senado. De um lado, tem o deputado federal José Guimarães (PT), que briga pela vaga. Do outro, o senador Inácio Arruda (PCdoB), que cobra apoio para reeleição. Na outra ponta, tem ainda o senador Eunício Oliveira (PMDB), que até abril deste ano era aliado e que diz que vai levar adiante a candidatura ao governo com ou sem apoio de Cid e do PT.

Questionado insistentemente por aliados, adversários e pela imprensa, Cid tem dito que vai deixar para "o último minuto do segundo tempo" o anúncio da chapa governista. Alega que não vai colocar o bloco na rua sem saber quem serão seus adversários. 

Nesta terça-feira, a assessoria do PROS-CE divulgou uma nota, convocando a imprensa para mais um encontro da base aliada com Cid e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

A reunião será na quarta, às 18h, no Hotel Oásis Atlântico, na Avenida Beira Mar. Na ocasião, serão debatidas as coligações entre as sigas e outros assuntos relativos ao pleito deste ano. Nada de alimentar expectativa com o nome do candidato. "A chapa majoritária da base aliada e também os nomes do PROS-CE que devem disputar os cargos na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional serão divulgados no domingo, dia 29, quando será realizada a convenção estadual do partido", diz a nota.

Além da indefinição quanto ao escolhido do governador, o cenário político cearense segue indefinido por conta da possibilidade de o ex-senador Tasso Jereissati vir a ser o vice do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. 

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