Chuva atrapalha Lula e frustra inauguração

Comunidade do Vale do Ribeira se decepciona ao saber do adiamento da visita do presidente para celebrar ponte que já é usada desde setembro

Flávia Tavares, de O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 19h30

ELDORADO, São Paulo - As crianças enlameadas, deitadas no chão sobre uma toalha encardida, nem se abalaram. Mas suas mães e os outros locais que aguardavam a chegada do presidente Lula às margens do Rio Ribeira do Iguape soltaram aquela vaia quando o mestre de cerimônias anunciou que ele não viria para a inauguração da Ponte de Ivaropunduva.

 

A chuvarada que inundava o lugar impedia que o helicóptero presidencial se aproximasse da área. Cerca de 500 pessoas compareceram às tendas armadas para receber a comitiva de Lula.

 

A ponte já está aberta desde setembro, mas faltava ainda a cerimônia que a inaugurasse de fato. E Lula fazia questão de cortar a fita, porque a obra foi promessa de sua campanha à Presidência em 1993. Assessores garantiram que ele estava muito triste por decepcionar o pessoal.

 

"Nós entendemos, foi o tempo", resignava-se Maria José da Silva, garantindo que voltará ao local se Lula marcar nova data.

 

Conquista

 

A ponte de 128 metros de extensão, que custou R$ 7,4 milhões e beneficia 200 famílias, liga o quilombo de Ivaropunduva, o mais antigo do Vale do Ribeira, à rodovia que dá acesso à cidade de Eldorado, onde estão as escolas, os hospitais, a estrutura, enfim.

 

"Antes, quando chovia como hoje, a gente ficava semanas sem ir à aula, porque não conseguia atravessar o rio de barquinho", lembra Heloísa Dias, do quilombo São Pedro, outra das comunidades beneficiadas.

 

"Fora que pela ponte a gente pode escoar o excedente da produção", explica ela, referindo-se ao cultivo principalmente de banana.

 

Alguns moradores mencionavam que essa era a segunda ou terceira vez que o presidente marcava e não aparecia, mas a assessoria não confirmou a informação.

 

O sol forte da véspera deu esperança à maioria, embora os mais antigos e sábios já tivessem avisado havia semanas que a lua cheia não permitiria a visita ilustre. E, de fato, Lula não apareceu.

 

O prefeito da cidade, Donizete de Oliveira, agasalhou as vaias e o povo seguiu seu rumo, em ônibus, vans e carros atolados pela estradinha.

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