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Chomsky visita assentamento do MST

O linguista americano Noan Chomsky, uma das personalidades mais aguardadas do Fórum Social Mundial, desembarcou no começo da tarde deste domingo no aeroporto da capital gaúcha e, depois de aboletar-se na cabine de uma velha e confortável camioneta F-1000, seguiu para a cidade de Charqueadas, a 63 quilômetros de distância - nove dos quais por uma poeirenta estrada de terra. A convite da organização internacional Via Campesina, foi realizar o sonho de conhecer um assentamento do Movimento dos Sem-Terra (MST), cujas ações vem acompanhando com atenção há quase vinte anos, como revelou aos seus anfitriões. O que ele viu parecia a concretização de uma utopia da esquerda - um conjunto de 46 famílias, agrupadas numa pequena e agradável vila rural, com escola, creches e bosques. Cultivam a terra de forma coletiva, dedicando-se principalmente ao cultivo de alimentos. Ontem, além de Chomsky, as famílias estavam recebendo para um churrasco os participantes da Assembléia Mundial Campesina, um dos eventos paralelos do fórum. Na despedida, depois de plantar um pé de cedro no bosque comunitário, Chomsky disse aos assentados do MST: "É um privilégio estar aqui com vocês, cujas atividades acompanho há muito tempo. O que vocês conquistaram mostra que é possível construir um mundo melhor." A visita foi acompanhada por um numeroso grupo de jornalistas, especialmente europeus. Ainda no bosque, sentado num tronco de eucalipto, Chomsky deu uma entrevista coletiva durante a qual falou sobre o governo de Inácio Lula da Silva e repetiu o que faz de forma incansável em décadas de militância em questões internacionais, com uma visão de esquerda: atacou duramente política externa americana, detendo-se no fato novo, que é a ameaça de guerra no Iraque. Sobre o novo governo brasileiro disse que enfrentará enorme resistência das forças que representam o sistema neoliberal, contrárias às propostas de justiça social que formaram a plataforma eleitoral de Lula. Essas forças já estão tentando frear os avanços propostos por Lula desde a campanha eleitoral, segundo Chomsky: "Quando ficou óbvio que ele iria vencer as eleições, começou a haver evasão de capital, flutuações cambiais, elevações das taxas de juros, para impedir que Lula implementasse os programas sociais." Chomsky lembrou João Goulart: "Há 40 anos vocês tinham um outro presidente popular, que foi deposto do poder com o apoio do Estados Unidos, implantando-se no Brasil uma brutal ditadura." Agora, porém, a hipótese de um golpe militar é remota. O povo brasileiro terá duas opções daqui para a frente: "Seguir a receita do FMI e do capital financeiro, seguindo as medidas neoliberais; ou adotar o caminho revolucionário, eliminando a influência dessas instituições sobre o governo." Sobre a guerra contra o Iraque, afirmou: "Não me lembro, em toda história recente, de uma guerra feita com tanta oposição popular, no mundo inteiro. Mesmo setores conservadores dos Estados Unidos estão fazendo declarações contra a guerra. Quem deseja essa guerra é um pequeno grupo de reacionários extremistas." Ao fazer uma comparação entre os fóruns de Davos e o de Porto Alegre, Chomsky afirmou: "São dois fenômenos muitos próximos, muito ligados. O que observo é que enquanto este daqui parece cada vez mais exuberante, o de Davos me parece mais confuso do que no ano passado." No final da tarde Chomsky voltou na mesma camioneta para Porto Alegre, onde deve fazer amanhã uma conferência.Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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