Isac Nóbrega/PR
Isac Nóbrega/PR

Chineses devem ter entrada facilitada no Brasil

Governo quer isentar turista que já tenha visto americano, canadense, japonês ou australiano; Bolsonaro já criticou o país asiático

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 05h07

BRASÍLIA - O governo Jair Bolsonaro pretende facilitar a entrada de chineses e indianos no País. A medida é preparada pelo Ministério do Turismo e pelo Itamaraty, que ainda não definiram se as mudanças serão feitas por decreto ou projeto de lei. Desde junho, a isenção de visto é permitida para cidadãos da Austrália, Canadá, EUA e Japão. 

No caso da China, a proposta é isentar o visto de quem tem visto americano, canadense, japonês ou australiano. A Embratur avalia que o governo pode aproveitar uma “triagem” já pronta dos outros países, com a verificação dos antecedentes dos visitantes.

Para os indianos, o Brasil adotaria a reciprocidade na obtenção de visto eletrônico. Hoje, os brasileiros conseguem autorização online para entrar na Índia. Assim, os turistas indianos enfrentariam menos burocracia e evitariam deslocamentos para Nova Délhi e Mumbai, únicas cidades na Índia com representação diplomática brasileira.

Segundo o presidente da Embratur, Gilson Machado, o objetivo é ultrapassar a média de 6 milhões de turistas estrangeiros por ano. A meta é dobrar o número até 2022. “A Torre Eiffel recebe mais turistas do que o Brasil”, disse. “Medidas de facilitação de vistos, segundo a OMT (Organização Mundial de Turismo), podem incrementar em 25% a entrada de turistas. Aqui no Brasil, os índices estão acima deste padrão, após a isenção de vistos para os Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá. A China e a Índia são grandes mercados de viajantes internacionais.”

Machado disse ainda que o governo não vê possibilidade do uso do visto de turista para entrada no País com outros propósitos, como permanência para moradia e trabalho. “Não há risco. Vamos aproveitar pesquisas já feitas por outros países.”

Durante a campanha presidencial, o então candidato Jair Bolsonaro chegou a dizer que a China era um parceiro predador e queria “comprar” o Brasil. O discurso foi alimentado pelo guru Olavo de Carvalho, que chamou de “idiotas” e “caipiras” deputados do PSL que viajaram, em janeiro, a convite do governo chinês, para Pequim.

Ao chegar à Presidência, Bolsonaro deixou de fazer ataques à China. O Palácio do Planalto anunciou uma viagem do presidente para o país asiático neste segundo semestre.

Dados do Ministério do Turismo mostram que 16,9 mil turistas indianos vieram ao Brasil em 2017. No ano seguinte, o número caiu para 16,7 mil. Nesse período, os chineses passaram de 61,2 mil em 2017 para 56,3 mil no ano passado. A China é o maior país emissor de turistas, com cerca de 150 milhões de viajantes internacionais em 2018. Também é o país com o maior gasto com viagens – mais de US$ 250 bilhões. Em maio, a Embratur fez apresentações em Pequim, Xanguai e Chengdu para defender o Brasil como ponto turístico para os chineses.

A isenção de visto para turistas da Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão passou a valer a partir do dia 17 de junho. Determinada por meio de decreto do presidente, a medida não exige reciprocidade dos países, o que significa que brasileiros interessados em visitar esses destinos ainda precisarão passar pelo trâmite normal para obter permissão de entrada.

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