Chinês é apontado como chefe do contrabando de celulares

Cargos fora do comércio, como a presidência de honra da Liga de Kung Fu, serviriam para esconder suas atividades ilegais

Rodrigo Rangel, de O Estado de S.Paulo

05 Maio 2010 | 00h03

Ao mesmo tempo em que operava com desenvoltura no mercado de importação ilegal de celulares falsificados, Li Kwok Kwen, ou Paulo Li, circulava por São Paulo como representante da comunidade chinesa na cidade. Mestre em artes marciais, ele era presidente de honra da Liga Nacional de Kung Fu, o que, para a PF, era uma estratégia para esconder suas atividades ilegais. Fontes ligadas à investigação disseram ao Estado que, na estrutura da máfia chinesa na capital paulista, Li se equipara ao empresário Law Kin Chong, processado no Brasil como um dos maiores fornecedores de produtos piratas do País.

 

No organograma da máfia, diz uma fonte, Li tinha por atribuição cuidar do mercado de celulares. O chinês mantinha contato direto com a China. Em muitas das ligações interceptadas pela PF, Li recorria à sua língua nativa para tentar evitar que seus negócios fossem descobertos. De acordo com o inquérito, ele trazia por mês 3 mil celulares para o Brasil. Cada aparelho era vendido no mercado paralelo por R$ 200, em média. Nos e-mails interceptados, os investigadores localizaram dezenas de ordens de pagamento para bancos da China. As remessas eram feitas por meio de doleiro.

 

Na Operação Wei Jin (trazer mercadoria proibida, em chinês), dois filhos de Paulo Li também foram presos. As investigações apontam indícios de que, para não ver suas atividades prejudicadas, sob o comando de Li, o grupo fazia pagamentos regulares a policiais e outros funcionários públicos. Um assessor do Ministério Público paulista chegou a ser detido, sob suspeita de vazar para Li informações sobre operações programadas para ocorrer em redutos do mercado de produtos chineses falsificados.

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