Chinaglia quer reajuste também para presidente e ministros

Um mês e meio depois de assumir o cargo, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), abriu a discussão sobre o aumento salarial dos parlamentares, recomendando aos líderes dos partidos que reúnam suas bancadas para apresentar suas propostas. Desta vez, a correção deverá beneficiar também o presidente da República e os ministros.A consulta foi proposta por Chinaglia quatro dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que os salários dos ministros estão muito abaixo do que os técnicos recebem em empresas privadas e menores também do que ganham os parlamentares. A intenção de Chinaglia é procurar representantes do governo para discutir o salário de Lula e dos ministros depois que receber as propostas dos líderes partidários."Se comparar o salário do presidente da República com o dos parlamentares e com o dos ministros do Supremo Tribunal Federal, acho que o presidente da República ganha pouco", afirmou Chinaglia. Os deputados e senadores recebem R$ 12.847,20 e os ministros do Supremo, R$ 24.500. Os ministros do Executivo recebem R$ 8.362,80 e o presidente da República, R$ 8.885,48.Na solenidade em que empossou três ministros na sexta-feira passada, Lula lembrou que os ministros de seu governo que são parlamentares optam por continuar recebendo salários do Legislativo, porque são maiores. Quanto ao seu próprio salário, Lula não reclamou, alegando que é o único torneiro mecânico no País que recebe esses vencimentos. A tendência verificada até agora entre os líderes é de um reajuste salarial para os parlamentares que reponha a inflação dos últimos quatro anos, quando houve o último aumento dos vencimentos. O índice de 28% significa o aumento dos atuais R$ 12.847 para R$ 16.500. Os líderes do PFL, Onyx Lorenzoni (RS), e do PT, Luiz Sérgio (RJ), anteciparam na reunião com Chinaglia que suas bancadas apóiam o reajuste pela inflação.A elevação de salários deverá ser acompanhada também de reajuste na verba de gabinete, o dinheiro que cada deputado tem para contratar até 25 funcionários sem concurso público. Atualmente essa verba é de R$ 50.815,62. O segundo secretário da Mesa, Ciro Nogueira (PP-PI), já apresentou uma proposta de aumentar essa verba para R$ 65.100, aplicando o índice de inflação dos últimos quatro anos.O líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), criticou a volta da discussão do aumento salarial, considerando-a "inoportuna" no momento em que a Câmara está em um impasse com queda na produção legislativa por conta da disputa entre governo e oposição em torno da CPI do apagão aéreo. "Ninguém está deixando de exercer o mandato por questões materiais", disse Alencar.Cota aéreaNa sexta-feira passada, ato da Mesa da Câmara reajustou em 2,57% a cota aérea que os deputados têm direito por conta da inflação acumulada ao longo dos últimos dois anos. De acordo com a decisão da Mesa, de seis em seis meses, em janeiro e em julho, haverá um reajuste automático no valor da cota de acordo com a inflação medida pelo IPCA do semestre. A cota aérea varia de acordo com o Estado de origem do parlamentar.Criada para custear as viagens de ida e volta para Brasília durante a semana, as passagens são usadas para qualquer fim. Mesmo os deputados do Distrito Federal recebem a cota, apesar de não precisarem de passagens aéreas para se deslocar ao Congresso. A menor cota mensal, a dos deputados de Brasília, passou para R$ 4.253,68 com o aumento. A maior cota, a dos deputados de Roraima, foi para R$ 16.938,44. Os deputados de São Paulo, a maior bancada, têm a cota de R$ 9.606,09 por mês depois do reajuste.

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