Chinaglia nega ter defendido reajuste de 92% a parlamentares

O novo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), negou nesta sexta-feira que tenha defendido a equiparação dos salários dos parlamentares com os dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que recebem R$ 24,5 mil. "Não é verdade que eu defendi aumento de 92% durante a campanha", afirmou o deputado, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo.Chinaglia confirmou apenas ter se mostrado favorável à equiparação salarial, caso essa fosse a decisão da maioria. O deputado ressaltou que, em seu programa, defende o reajuste pela reposição da inflação. "E é o que vai ser feito", disse.Durante a entrevista, Chinaglia disse que o assunto, porém, ainda não está encerrado. O novo presidente da Câmara afirmou que pretende levar adiante a discussão do teto salarial nos Três Poderes. "Não acho correto o ministro do Supremo ganhar praticamente três vezes o que ganha o presidente da República", afirmou.´Mensaleiros´Chinaglia disse nesta sexta-feira que não se sentiu constrangido com os possíveis votos que recebeu de parlamentares envolvidos com o esquema do mensalão. "Juscelino, quando foi questionado se não se incomodava com o apoio dos comunistas, respondeu: os deputados escolhem em quem votar", afirmou o deputado, em referência a Juscelino Kubitschek, ex-presidente da República (1956-1961). De acordo com o novo presidente da Câmara, os votos recebidos por ele foram legítimos. "Quem tem autoridade para contestar a legitimidade do voto?", questionou o deputado, que venceu o candidato Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ex-presidente da Casa, no segundo turno da eleição realizada na quinta-feira.Campanha difícilChinaglia disse também que o momento mais difícil de sua campanha surgiu quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua preferência pela reeleição de Aldo. "A pergunta que mais se ouvia era se eu iria até o fim", disse o petista, lembrando que chegou a abrir mão de sua candidatura na primeira eleição de Aldo para apoiá-lo. "Eu passei um mês e meio dizendo que era candidato para valer", disse Chinaglia, acrescentando que o presidente reeleito do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), "trabalhou duramente pela reeleição de Aldo nos últimos meses.Críticas injustasO novo presidente da Câmara afirmou ainda que, durante a nova legislatura, não aceitará passivamente críticas injustas. Como exemplo, ele citou o escândalo dos sanguessugas, no qual, segundo ele, alguns parlamentares foram acusados e, depois, absolvidos."Toda vez que alguém conspira contra o parlamento, está conspirando contra a democracia", disse o deputado petista. "Essa é a minha tese, foi isso o que defendi e vou continuar defendendo".

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