Chinaglia evita comentar mudanças ministeriais de Lula

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), foi "econômico" durante entrevista coletiva à imprensa, na manhã deste sábado, 17, ao ser indagado sobre as mudanças iniciadas nos ministérios do governo, na sexta-feira, 16 com a posse de três novos ministros em Brasília. Lula empossou os novos ministros da Justiça, Tarso Genro, da Saúde, José Gomes Temporão, e da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. "A responsabilidade, dever e direito de indicar esses nomes é do presidente da República. A mim não cabe comentar. Entretanto, conhecendo o presidente, seguramente ele está buscando compor o ministério com quadros técnicos e políticos que tenham a capacidade de gerir o Estado brasileiro de forma democrática e eficaz", desconversou.Chinaglia desejou "boa sorte" e disse que aguardará o trabalho que os escolhidos vão desenvolver. Elogiou a opção por Tarso Genro, que assumiu a Justiça, José Gomes Temporão, para a pasta da Saúde, e Geddel Vieira Lima, na Integração Nacional. "Acho que compõem uma boa equipe". No entanto, não falou sobre o deputado federal Odílio Balbinotti, indicado para a Agricultura, mas cuja nomeação ainda é incerta devido ao mal-estar causado pela divulgação de que ele responde a processos judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF).Sobre o possível convite à petista Marta Suplicy para o Turismo, Chinaglia também não entrou em detalhes. "Para quem foi prefeita da maior capital da América Latina (São Paulo), entendo que ela reúne os predicados para exercer a função. Cabe ao presidente convidá-la. Se vier a fazer, acharei uma boa escolha", disse.O presidente da Câmara falou que está evitando comentar a questão do ponto de vista partidário, mas que "evidentemente" seria importante para o partido ter Marta num ministério. "Para qualquer partido e para o PT é importante ter quadros de expressão no ministério".TensãoChinaglia disse que está trabalhando para diminuir o clima de tensão verificado na casa na semana passada por conta da obstrução da oposição, que quer a CPI do "Apagão Aéreo"."Respeito qualquer que seja a vontade da bancada mas, na minha opinião, é ruim para o conjunto dos deputados, o conjunto dos partidos, quando a Câmara se concentra na disputa política sem cuidar com a mesma intensidade de temas importantes para o País. Então, estou trabalhando para diminuir a tensão e que a gente possa discutir, entre outros temas, as medidas provisórias referentes ao programa de Aceleração do Crescimento (PAC), porque são relevantes", afirmou.Sobre a CPI do "Apagão", Chinaglia disse ainda não ter recebido o ofício encaminhado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, em que ele questiona o fato de a comissão não ter sido instalada, já que os pré-requisitos necessários foram atendidos. A partir do recebimento, de acordo com Chinaglia, ele terá o prazo máximo de dez dias para se pronunciar. O deputado afirmou que não sabe quanto tempo levará para fazer isso.Chinaglia também negou que esteja sendo pressionado para colocar a discussão sobre o reajuste de salários de deputados em pauta. Segundo ele, houve apenas a manifestação de um deputado (Ciro Nogueira, do PP), nesta semana, durante reunião da mesa da Câmara. "Ele manifestou sua expectativa com relação ao aumento das verbas de gabinete e eu ponderei que ali não era a ocasião apropriada", resumiu.A mesa passada, segundo Chinaglia, cometeu "um erro coletivo brutal, que desgastou a Câmara e o Senado". "Eu jamais vou repetir esse procedimento. Então, vou discutir com os líderes, com as bancadas, e dar o tratamento absolutamente corriqueiro, natural, de reposição de perdas pela inflação do período", declarou. A proposta de aumento, já formalizada por Ciro Nogueira, versa sobre o reajuste de 28% nos salários e nas verbas de gabinete dos 513 deputados.ReformasAlém disso, o presidente da Câmara dos Deputados afirmou que a reforma política será votada até maio. "Ela é a primeira das reformas, porque já tramita há mais de dez anos no Congresso. Já tenho um acordo com as lideranças de criarmos um grupo especial de trabalho para até maio votarmos", disse.Sobre a reforma tributária, Chinaglia afirmou que ela envolve os interesses dos Estados e municípios. "Vamos conduzi-la, mas vai ser difícil estabelecer um prazo". A judiciária também aguarda para ser pautada. "Nós inclusive criamos uma comissão que vai revisar toda a legislação brasileira, porque tem leis que já são absolutamente conflitantes, outras estão caducas. Queremos fazer com que elas de fato tenham a clareza, objetividade e eficácia que o sistema democrático exige", concluiu. PACAo comentar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Chinaglia afirmou que este vai gerar disputas políticas e regionais. "Isso é evidente, são muitas emendas", comentou , afirmando que será um debate complementado em plenário. "Mas já está acontecendo na Casa, porque os relatores e as comissões já fazem essa discussão. Eu acho que é normal, além de necessário, o aprofundamento. Porque boas leis, quando oriundas do Executivo, mesmo essas, sofrem transformação no Congresso. Então, vamos trabalhar pelo aperfeiçoamento", disse.Chinaglia informou que houve nove mensagens do PAC por meio de medida provisória, para as quais ele indicou relatores de vários partidos, e que há quatro projetos em comissões especiais, cujo trâmite é "mais demorado" porque estes devem também passar pela avaliação de um presidente e de um relator.A expectativa de Chinaglia é conseguir discutir as matérias referentes ao PAC na segunda-feira. "Mas isso vai se combinar com a obstrução que a oposição vai fazer ou não em torno da disputa pela instalação da CPI da Crise do Setor Aéreo", disse ele.VisitaO prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), que recepcionou neste sábado o também petista Arlindo Chinaglia, disse que o motivo da visita foi a "relação estreita" do presidente da Câmara com a cidade e que nada tem a ver com uma possível pretensão política fora dali."Minha preocupação é só continuar resolvendo os problemas estruturais do município. Ele (Chinaglia) disse que gostaria de nos visitar, até porque teve uma votação expressiva na nossa microrregião (que engloba cerca de dez municípios). Foram sete mil votos", contabilizou.O prefeito disse estar satisfeito com o tratamento dado pelo governo federal à cidade. "Não posso reclamar". O principal problema, da construção de um novo contorno ferroviário, estaria sendo contemplado. "É uma reivindicação desde a década de 70. Araraquara fica no entroncamento do Norte e Nordeste. A linha férrea hoje corta a cidade ao meio, junto com o pátio de manobras", explicou.Para Edinho, a visita foi também importante para o fortalecimento do PT e para a criação de um vínculo ainda mais profundo com a Câmara dos Deputados. Em resposta, Chinaglia falou que Araraquara tem, "no mínimo", um interlocutor em Brasília.Matéria alterada às 16h58 para acréscimo de informações

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