Chinaglia critica Câmara e diz que STF não conseguirá fazer reforma política

Líder do governo na Casa afirmou que Legislativo ainda está 'em baixa' diante da população e que o fim das doações de empresas para campanhas não resolverá problemas do sistema político

Eduardo Bresciani, Agência Estado

18 Dezembro 2013 | 13h08

Brasília - Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 18, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu que Câmara está "em baixa" no julgamento popular e defendeu uma reforma política mais ampla envolvendo o financiamento público de campanhas. Para o petista, mesmo se o Supremo Tribunal Federal concluir pela ilegalidade das doações de empresas privadas a campanhas eleitorais, a decisão ficaria "manca".

"Sou favorável ao financiamento público e acho que a decisão (do STF) não vai dar conta", afirmou o parlamentar, que teve a oportunidade de conversar com ministros da Corte no coquetel de fim de ano feito pela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira.

Na ocasião, ele teria ouvido que, como não haverá unanimidade o STF, por meio do relator, o ministro Luiz Fux, deve discutir alguma "mediação" na decisão. "O que eu tenho dúvidas é se vão querer fazer valer para 2014. Se fizer, a confusão vai ser grande. Eu avalio que vão mediar aí", disse o líder do governo. Ele acredita que o Congresso terá de analisar a questão do financiamento de campanhas já em 2014, mas reconheceu as dificuldades devido às diferentes posições.

Ele acredita que, caso o STF decida pela proibição, deverá haver uma modulação para que caiba ao Congresso regulamentar o tema e com validade apenas para 2016.

Em baixa. Para o petista, o Legislativo ainda deixa a desejar e poderia contribuir para a melhoria do sistema político. "No julgamento popular estamos em baixa. Eu me incluo nisso. Quanto aos motivos, pode se abrir uma avenida", disse ele que ainda fez uma autocrítica. "Não estou dizendo que a Câmara trabalhou mal. O que fizemos é insuficiente porque o mundo político está sob questão".

Após os protestos que eclodiram em todo o País no mês de junho, o Congresso rejeitou a PEC 37, que limitava o poder de investigação do Ministério Público e chegou a aprovar o fim do voto aberto para vetos presidenciais e a destinação de 10% do PIB para a educação em 10 anos. As medidas, contudo, ainda estão distantes das reivindicações iniciadas com os protestos de junho que pediam, dentre outros, o voto aberto em todas as votações do Congresso, a reforma política e mais investimento em saúde e educação.

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