Chinaglia admite reforma política por ´consenso progressivo´

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT) disse nesta segunda-feira, em Porto Alegre, que a reforma política poderá ser votada por "consenso progressivo". Temas que contam com a unanimidade ou apoio de grande maioria das bancadas poderiam ser pautados antes para que as modificações entrem em vigor rapidamente. As matérias mais polêmicas seriam votadas posteriormente, à medida em que os acordos forem sendo construídos, ou, na ausência deles, por disputa em plenário.Segundo Chinaglia, a tese de que a reforma possa ser votada gradativamente reflete, por enquanto, apenas uma posição pessoal. "Se amanhã houver a possibilidade de produzir uma proposta e se os partidos se sentirem confortáveis para ir a voto, faremos o máximo possível para isso", destacou.Chinaglia foi ao Rio Grande do Sul, onde visitou o deputado Mendes Ribeiro Filho, que se recupera de uma cirurgia no cérebro, jantou com empresários, tomou café da manhã com deputados estaduais e federais e conversou rapidamente com a governadora Yeda Crusius (PSDB).Ao avaliar os encontros, Chinaglia disse que viagens como a que fez aproximam a Câmara da sociedade e devem ser repetidas. Mas não prometeu nada aos gaúchos, que pedem revisão do câmbio, redução dos juros e ajuda para renegociar a dívida do Estado com a União. Admitiu, no entanto, que poderá receber sugestões de um encontro de Assembléias Legislativas que o presidente do parlamento gaúcho, Frederico Antunes (PP), está articulando.TrabalhoChinaglia destacou que na sua gestão o trabalho dos parlamentares em plenário vai aumentar porque serão aplicadas as resoluções já existentes. A Câmara deve ter sessões deliberativas às terças, quartas e quintas-feiras e debates de comissões e eventualmente pautas a votar às segundas e sextas-feiras.Nesta semana, reiterou Chinaglia, os deputados vão discutir o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com os ministros Guido Mantega, da Fazenda, Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Paulo Bernardo, do Planejamento, nesta terça-feira, e começar a votar projetos que tratam de segurança pública na quarta-feira.O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 22 de janeiro deste ano - prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010 em infra-estrutura: estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento. O objetivo é destravar a economia e garantir a meta de crescimento de 5%. SegurançaAo abordar a questão da segurança pública, Chinaglia sustentou que o Congresso Nacional vai aperfeiçoar a legislação sem criar a ilusão de que isso é suficiente para dar tranqüilidade à população. Disse que o debate é muito complexo e não deve ser feito com pressa e nem recorrer a soluções simplistas. Há um pacote de medidas a ser votado na Câmara. A pressão para que as propostas sejam votadas aumentou após o assassinato brutal do garoto João Hélio Fernandes, arrastado por sete quilômetros pelos ladrões que roubaram o carro de sua mão, no Rio de Janeiro.Este texto foi ampliado às 16h36

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