Chinaglia aciona corregedoria

Para presidente da Câmara, isso 'não significa antecipar resultado'

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2008 | 00h00

Sob pressão do Ministério Público e da Polícia Federal, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, vai ser investigado pela Corregedoria da Câmara. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), solicitou ao corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE) que apure as suspeitas contra o pedetista, que teve o nome citado em relatório da Operação Santa Tereza da Polícia Federal como suposto beneficiário da partilha de recursos que teriam sido desviados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme revelou o Estado no dia 27 de abril. "Não significa antecipar nenhum resultado", ressaltou Chinaglia, ao informar a abertura de investigação. Não há prazo para a conclusão das análises do corregedor. O presidente da Câmara disse que encaminhou ao corregedor reproduções das notícias sobre o assunto."Há a possibilidade de o parlamentar ser convidado a explicar (as suspeitas) ao corregedor. Acho importante até para ele. Quando aparece o nome no noticiário, é útil que apresente sua versão", justificou Chinaglia.A abertura de investigação na Câmara é sintoma da gravidade das acusações. Na semana passada, a montagem de alianças com o PDT nos Estados abafou o caso no Congresso.A decisão de abrir a apuração na corregedoria foi um movimento político da Casa para não agir a reboque da Justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve receber ainda hoje os autos das investigações sobre o caso descoberto pela Operação Santa Tereza. O parecer do corregedor será levado posteriormente à decisão da Mesa da Câmara. Inocêncio tem poder para solicitar punição - que vai de censura a pedido de cassação do mandato - do deputado investigado ou arquivamento do caso. No caso de cassação, a Mesa tem de encaminhar o pedido de abertura de processo para o Conselho de Ética.AMIGOA operação da Polícia Federal prendeu, em 24 de abril, 11 suspeitos de participar de esquema de desvio de recursos do BNDES, entre eles João Pedro de Moura, amigo e ex-assessor de Paulinho. Moura é considerado "um dos principais assessores da Força Sindical, responsável pela ligação da organização criminosa com o banco". O deputado, que é presidente da central sindical, é citado pela PF como "possível" destinatário de parte dos recursos ilícitos.Escutas telefônicas, realizadas com autorização judicial, flagraram pessoas próximas de Paulinho ajustando a divisão e citando freqüentemente seu nome. Segundo a PF, os principais integrantes do grupo teriam ficado com um valor equivalente a até 4% do montante que o BNDES liberou, mediante a apresentação de projetos, para empreendimentos em municípios de São Paulo, Rio, Paraíba e Rio Grande do Norte. O deputado e líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), também teria sido procurado pelo ex-assessor de Paulinho. No caso do peemedebista, no entanto, Inocêncio já antecipou que não há envolvimento nas suspeitas da polícia.

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