Wilton Junior / Estadão
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China enviará vice-presidente do Congresso para posse de Bolsonaro

Escolha foi vista como uma decisão protocolar; trata-se de um representante de nível elevado, porém sem status especial na área diplomática

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2018 | 11h28

BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores chinês informou ontem que o vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, Ji Bingxuan, será o enviado especial do presidente Xi Jinping para a cerimônia de posse do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro. A escolha foi vista nos meios diplomáticos brasileiros como uma decisão protocolar. Trata-se de um representante de nível elevado, porém sem status especial na área diplomática.

De maneira bastante sutil, os chineses parecem sinalizar com um projeto de aproximação entre o Partido Comunista de seu país e o partido do presidente eleito, o Partido Social Liberal (PSL). Ji foi chefe do Partido na província de Heilongjiang de 2008 a 2013. Neste ano, integrantes do PSL foram convidados a visitar a China, mas recusaram.

Logo após as eleições, Bolsonaro declarou que não venderia os ativos de geração de energia da Eletrobrás aos chineses, que estão “comprando o Brasil”. Ao que os chineses responderam, por meio de um editorial num jornal destinado ao Ocidente, que o País poderia pagar caro por suas escolhas.

Apesar disso, e de Bolsonaro haver escolhido um chanceler, Ernesto Araújo, que defende um alinhamento com os Estados Unidos e a construção de uma aliança ocidental, o diálogo não foi interrompido. O presidente eleito já conversou com o embaixador chinês, Li Jinzhang. Chegou à embaixada chinesa um sinal que Bolsonaro pretende visitar o país.

De acordo com o Itamaraty, até ontem 12 chefes de Estado e governo haviam confirmado presença na posse de Bolsonaro. Também deverão vir três vice-presidentes, 11 chanceleres, 16 enviados especiais e três diretores de organismos internacionais.

Entre os chefes de Estado, os destaques ficam para o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e os presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do Chile, Sebastián Piñera, do Paraguai, Mario Abdo Benítez e do Uruguai, Tabaré Vázquez. Os Estados Unidos serão representados pelo secretário de Estado, Mike Pompeo.

Israel. Netanyahu chega hoje ao Rio de Janeiro, onde vai almoçar com Bolsonaro. Depois, terá reunião de trabalho com o presidente eleito e os futuros ministros das Relações Exteriores e da Defesa, Fernando Azevedo. No fim da tarde, ele deve ir à Sinagoga Beit Yaakov.

Segundo a programação divulgada pela Embaixada de Israel, o primeiro-ministro terá uma agenda privada no sábado. No domingo, receberá a imprensa brasileira. Em seguida, vai reunir-se com líderes da comunidade judaica e com Amigos Cristãos de Israel. Na segunda-feira ele falará com a imprensa israelense e com emissoras de TV brasileiras.

Netayahu só virá a Brasília no dia 1º. Vai receber o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández e almoçará com Pompeo. Em seguida, participará da cerimônia de posse. À noite, no Itamaraty, vai reunir-se com Piñera. Em seguida, partirá para Israel.

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