Chile vai pedir extradição de Norambuena

A 2.ª Seção Penal da Suprema CorteChilena, por cinco votos a zero, autorizou o governo daquelepaís a pedir ao Brasil a extradição de Maurício HernándezNorambuena, o Comandante Ramiro, chefe do grupo que seqüestrou opublicitário Washington Olivetto. Norambuena está condenado a duas penas de prisãoperpétua no Chile. A primeira é pelo assassinato do senadorJaime Guzmán, principal ideólogo da ditadura de AugustoPinochet. A outra é pelo seqüestro de Cristian Edwards, filho dodono do jornal El Mercúrio. Agora, a chancelaria chilena enviará o pedido aoItamaraty, que o remeterá ao Supremo Tribunal Federal. Esteanalisará se Norambuena pode ser extraditado ao seu país deorigem. O pedido do governo chileno está baseado no tratadoassinado entre Brasil e Chile, em 1935. Os advogados de Norambuena defendem sua permanência noBrasil enquanto durar o processo judicial no qual é acusado doseqüestro de Olivetto. Norambuena é o segundo homem da hierarquia daFrente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR), ex-braço armado doPartido Comunista chileno - o rompimento entre eles ocorreu em1987. O Ministério Público defende a tese de que Norambuena eos cinco outros presos pelo seqüestro de Olivetto devem cumprira pena integralmente no Brasil - além dele estão detidos outrosdois chilenos, uma argentina e dois colombianos. Revelações Na única entrevista que concedeu em todasua vida, dada à reportagem da Agência Estado, Norambuena disseque recebeu treinamento em Cuba, admitiu a participação noatentado contra o general Augusto Pinochet, em 1986, e noseqüestro no Chile do coronel do exército Carlos Carreño, em1987. Carreño foi libertado em São Paulo. Ele disse que Guzmán foi morto como uma punição aosculpados pelos crimes da ditadura, pois seu grupo acreditava queos responsáveis pelos desaparecimentos e assassinatos deopositores políticos ficariam impunes no Chile. O Comandante Ramiro afirmou ainda que o seqüestro deEdwards foi uma operação financeira como o de Olivetto, mastambém serviu para golpear "uma das mais tradicionais famíliasda direita chilena". O seqüestro de Olivetto começou em 11 de dezembro de2001, quando um grupo formado por integrantes do Movimento deEsquerda Revolucionário (MIR) e da FPMR simularam uma blitz daPolícia Federal e pararam o carro em que estava o publicitário -há suspeitas de que do grupo também participassem pessoasligadas ao Exército de Libertação Nacional (ELN), grupoguerrilheiro colombiano de orientação guevarista. Olivetto reconheceu no processo judicial o colombianoWillian Gaona Becera, preso em 1.º de fevereiro com Norambuena emuma chácara em Serra Negra, como um dos integrantes do grupo queo seqüestrou - o publicitário foi libertado um dia após asprisões. AUC O colombiano Becera é filho de um ativista dosdireitos humanos assassinado na Colômbia pelos paramilitares dedireita da Autodefesa Colombiana (AUC), grupo acusado demassacres e de ter ligações com oficiais do ExércitoColombiano. Além disso, o principal militante do MIR preso, AlfredoAugusto Canales Moreno, afirmou à Agência Estado que lutoudurante dois anos na guerrilha colombiana. Canales pertence a umfacção do MIR conhecida como Exército Geral dos Pobres-PátriaLivre (EGP-PL). Essa facção mantém laços com o ELN e acusa detraição ex-dirigentes do MIR, como Patrício Rivas, o MeninoMaravilha, que abandonaram a luta armada. Rivas, que foi secretário-geral do MIR-Político, assumiuem 1997 a responsabilidade por outro seqüestro no Brasil, o doempresário Abílio Diniz - na época do seqüestro de Diniz, em1989, o MIR estava dividido em duas facções MIR-Político eMIR-Militar. Canales, Becera e Norambuena negam, no entanto, aparticipação do ELN no seqüestro Olivetto - a polícia suspeitaque o ELN tenha financiado o seqüestro em troca de parte doresgate.

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