Cheio de apetite, PMDB pede fim de aparelhamento

'Limite de gasto' e 'autonomia técnica às agências' são propostas da sigla que tem mais de 100 cargos

Christiane Samarco / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

27 Maio 2010 | 00h03

Conhecido por ter um insaciável apetite por cargos, o PMDB, que tem seis ministérios e disputa postos em todos os órgãos estatais igual a "criança brigando por saco de balinha no dia de Cosme e Damião", defende que o sucessor do governo Lula tenha um programa que "limite os gastos públicos" e dê "autonomia técnica às agências reguladoras". As propostas fazem parte do programa de governo que o partido apresentou ontem, na condição de aliado do PT e da candidata Dilma Rousseff.

 

Só no topo da estrutura federal, em Brasília, o partido tem mais de uma centena de cargos. Além disso, está envolvido em uma briga feroz com os demais partidos da base aliada pelas 15 diretorias nas agências reguladoras que vão vagar até o fim deste ano. Uma das maiores disputas é por um cargo na Agência de Transportes Terrestres, onde o suplente de senador Wellington Salgado (PMDB-MG) quer colocar o assessor Jorge Bastos.

 

Em recente entrevista ao jornal O Globo, Salgado, que já entregou a vaga ao titular, o ex-ministro Hélio Costa, defendeu a indicação do apadrinhado dele: "Em política é assim: surgiu uma vaga, todo mundo corre para ver se pega. Igual a Cosme e Damião. Onde estão dando um saquinho de bala, todos correm para pegar. Querem pegar nossos saquinhos".

 

Dois lados. Não por acaso, o programa do PMDB foi apresentado à imprensa pelo vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Moreira Franco, e pelo presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha. Eleitor de Dilma, Franco disse que a proposta será levada à petista e aos demais partidos da aliança governista. Segundo ele, o PMDB vai fortalecer as agências reguladoras indicando "quadros competentes".

 

Expoente da ala mais afinada com o tucano José Serra, Padilha ressaltou que o programa retrata o que pensa o PMDB a partir do trabalho iniciado no ano passado pela fundação, em que todos os diretórios municipais foram ouvidos. Padilha e Moreira coordenaram a proposta final.

 

Além de limitar o crescimento do gasto público corrente ao teto de 2% abaixo do crescimento do PIB, o PMDB se propõe a revolucionar a educação com uma dezena de medidas, começando pela prioridade ao português e à matemática. Para incentivar as crianças a concluir o ensino fundamental, a proposta é a criação de uma caderneta de poupança para cada criança beneficiada pelo Bolsa-Família, resgatada apenas ao término dessa etapa.

 

Também sugerem a universalização do turno de seis horas nas escolas públicas e a extensão do sistema do Pro-Uni aos alunos do ensino médio e fundamental.

Mais conteúdo sobre:
PMDB eleições2010 PT Dilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.