Chegou a vez do PT, diz Lula

O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, deixou a modéstia de lado. Ele disse hoje que os candidatos que apareceram até agora do PSDB não põem frente ao PT e fez uma projeção otimista em relação à sucessão de Fernando Henrique Cardoso, em 2002. "A atual conjuntura mostra que seria difícil o PSDB lançar um candidato que venceria o nosso na sucessão presidencial", disse Lula. Sem citar nomes, ele admitiu que o seu partido poderia encontrar um pouco mais de dificuldade em vencer as eleições, dependendo do candidato do Palácio do Planalto e se o PFL vai lançar candidato próprio, ou não. Ele, porém, admitiu que o cenário, atual, é mais favorável em relação as três últimas eleições em que disputou. "Chegou a vez do meu partido fazer o presidente da República: são 21 anos de espera", acrescentou ele, que diz não ser candidato, mas vem se comportando como tal na caravana petista - que inclui ainda o presidente do partido José Dirceu e o pré-candidato à sucessão ao governo de São Paulo, José Genuíno -, que nas duas últimas semanas visitou 15 cidades administradas pelo PT, no interior de São Paulo. Em Campinas, a última parada da caravana, Lula provocou congestionamento no trânsito ao inspecionar obras de tapa-buraco na região central da cidade. Ele caminhou pelas ruas, acompanhado do prefeito Antônio da Costa Santos e, depois, mais cauteloso afirmou que para ser candidato não é preciso só ter vontade. "Como já disputei três eleições preciso fazer uma analise do quadro político, dos nossos aliados e dos aliados dos adversários" comentou. "Quanto chegar à hora oportuna procurarei o partido para dizer se quero disputar, ou não". Pré-candidato Ele negou ter encaminhado oficio ao diretório de São Paulo, no qual abriria mão de ser candidato e sairia do páreo para apoiar o senador Eduardo Suplicy, que já informou a Executiva Nacional que pretende disputar a sucessão de Fernando Henrique Cardoso. "Se optar em ser candidato, não terei constrangimento nenhum em disputar a prévia, se aparecer mais de um pré-candidato", observou Lula, pois ele considera a disputa interna um instrumento democrático do partido, que foi instituído em 1991, quando ele era o presidente do partido. Os pré-candidatos, ainda segundo o presidente de hora do PT, não serão definidos todos neste momento "Eu só acho que não tenho que definir já se sou candidato, ou não", continuou. "Se um técnico para um jogo de futebol, uma coisa menos importante em relação a uma campanha presidencial, deixar para anunciar o time cinco minutos antes por uma questão tática, porque eu vou fazer isso com dois anos de antecedência", comparou. Independente de quem seja o candidato do partido, Lula acredita na vitória. "Já fomos vítimas de todas as calunias, ataques e preconceitos" prosseguiu o petista. "Todos os outros partidos tiveram chance e, agora, penso que chegou, realmente, a vez do PT, porque o povo brasileiro amadureceu", completou Lula.

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