Chegada de Eike a presídio no Rio interrompe visita de parentes a detentos

Familiares que esperavam por horas em fila ficaram contrariados; empresário é suspeito de envolvimento em esquema de pagamento de propinas ao ex-governador Sérgio Cabral

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2017 | 12h54

RIO - A chegada do empresário Eike Batista na manhã desta segunda-feira, 30, ao Presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte do Rio, interrompeu temporariamente as visitas das famílias aos detentos. Parentes dos presos que esperavam por horas na fila ficaram contrariados.

"Saí de casa às 3h, com comida na bolsa para entregar a meu filho. Mas tudo parou com a chegada de Eike, uma celebridade. Meu filho é um pobre qualquer", reclamou Carmelita, que é diarista, mãe de um preso acusado de assassinato, mas que ainda não foi julgado. 

As visitas aos detentos começam às 13h. Quando Eike chegou ao presídio, pouco antes do meio-dia, cerca de 50 pessoas esperavam em fila e entregavam aos agentes penitenciários objetos e alimentos trazidos para serem encaminhados aos detentos antes da visita. Com a chegada do empresário o serviço foi imediatamente suspenso. Segundo parentes dos detentos, os servidores da penitenciária informaram que o motivo foi a presença de Eike.

"Estão até distribuindo água pra gente hoje. Nunca fizeram isso", afirmou Luana Sabino, que disse ter dormido na porta do presídio para visitar o irmão no início da tarde desta segunda-feira.

Eike desembarcou no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, pouco antes das 10h desta segunda-feira, vindo de Nova York. Ele foi levado até a sede do Instituto Médico Legal, no centro da capital fluminense, para exame de corpo de delito, e deixou o local com escolta policial já em direção ao presídio.

O advogado do empresário, Fernando Martins, chegou ao Ary Franco antes do comboio da Polícia Federal que levava o empresário. Segundo Martins, ele ainda discutiria com agentes da polícia e Ministério Público Federal para determinar quando o empresário prestaria depoimento. Martins disse que conversaria com seu cliente e tomaria ciência da situação do Eike para decidir estratégia de defesa.

"Estamos tomando as medidas jurídicas cabíveis no sentido de preservar a integridade física dele. A prioridade é preservar a integridade física dele. Não por se tratar do Ary Franco, mas de qualquer instituição", declarou Martins.

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