Chefe jurídico participou da reunião para fraudar CPI

O chefe do departamento jurídico do escritório da Petrobras em Brasília, Leonan Calderaro Filho, participou da reunião gravada em vídeo, divulgado na edição deste fim de semana da revista Veja, na qual foi discutida a "cola" das perguntas e respostas que seriam feitas pelos senadores na CPI da Petrobras aos investigados da petroleira.

ANDREZA MATAIS, RICARDO BRITO E FÁBIO BRANDT, Estadão Conteúdo

04 de agosto de 2014 | 16h13

Calderaro é o homem de cabelos brancos que aparece no vídeo gravado no dia 21 de maio ao lado do chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, e do advogado da empresa Bruno Ferreira. Calderaro não foi identificado pela revista. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apurou que ele e Bruno foram designados pela direção da Petrobras para acompanhar a CPI.

É Calderado quem questiona o chefe de gabinete da Petrobras no vídeo sobre a forma mais segura de encaminhar para a sede da petroleira no Rio de Janeiro o gabarito de perguntas e respostas que seriam feitas pelos senadores aos executivos investigados da empresa. "O que é melhor, fax? O que é mais seguro?", indagou, na gravação, referindo-se ao envio dos gabaritos à atual presidente da companhia, Graça Foster, que chegou a prestar esclarecimentos à CPI, mas não na condição de investigada. Ele também comenta sobre o depoimento de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, que ocorreu um dia depois da gravação.

Cerveró foi acusado pela presidente Dilma Rousseff, em nota enviada como resposta a questionamentos do jornal, de ter elaborado "resumo técnico e falho" que pautou sua decisão favorável à compra de Pasadena, um negócio que gerou prejuízo de US$ 792 milhões ao País. "A gente vai aguardar a demanda dele (Cerveró). A gente não vai tomar nenhuma iniciativa? (...) Eu recebi um input (sinal) de falar com ele e recomendar que ele não faça apresentação, afirma no vídeo. E complementa: "Será que o Delcídio [Amaral, senador pelo PT]."

Procurado pelo jornal, Calderado não ligou de volta. A Petrobras não se manifestou até esta segunda-feira a respeito da participação de Calderado. A divulgação do vídeo provocou uma crise no Congresso. A oposição vai pedir o cancelamento dos depoimentos da CPI que teriam sido combinados. Os envolvidos nas denúncias negam.

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