Chefe de gabinete de Suassuna diz ter assinado documentos a pedido dele

Fica pior a cada dia a situação do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Em depoimento à corregedoria do Senado, a chefe de gabinete de Suassuna nesta terça-feira, 13, Mônica Teixeira , afirmou que era o senador quem pedia para que ela assinasse documentos em seu lugar. Suassuna vem responsabilizando Mônica pela irregularidade. "Ela mostrou uma dose de amargura por ter o senador falado que ela teria falsificado sua assinatura", contou o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP). Mônica considerou desnecessário periciar algumas assinaturas de ofícios, a exemplo do que fez Suassuna para se defender, porque as reconheceu como suas.Num trecho do depoimento, Mônica contou ter consultado Suassuna numa ocasião em que Marcelo Carvalho, então assessor do peemedebista, lhe pediu para que assinasse um documento no lugar dele. "Eu liguei para o senador, porque eu não conhecia o Marcelo e disse: `Senador, não tem problema eu assinar o documento para o Marcelo?´ Ele falou: "Mas, mulher, por que você está me perguntando isso? O que você tem contra o Marcelo?´".O assessor foi preso pela Polícia Federal na Operação Sanguessuga e acabou demitido do gabinete. Sua irmã, Mariana Cardoso Azevedo, ainda trabalha lá, recebendo pelo cargo de confiança que ocupa, mesmo sem comparecer ao trabalho. Tuma lembrou que a PF identificou repasses do esquema para Marcelo no total de R$ 222,5 mil, sem que tenha sido confirmado até agora o favorecimento de Suassuna. Ainda assim, reconheceu que a situação do colega da Paraíba não é boa. "Estamos aqui investigando não um crime, mas sim a conduta ética de um senador", justificou.O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), confirmou para a próxima quarta-feira a votação do relatório do senador Jefferson Peres (PDT-AM) sobre o processo disciplinar por quebra de decoro contra Suassuna. Peres deve pedir a cassação do colega. Ele afirma que não haver indícios de que Suassuna tenha recebido propina, mas ainda assim entende que ele afrontou o decoro, por não ter aberto uma sindicância ou mesmo um inquérito policial quando soube que sua assinatura foi falsificada em documento envolvendo recursos vultosos. "Cada um tem a sua maneira de agir. Eu teria imediatamente pedido a abertura de um inquérito policial", frisou. Acareação descartadaSobre a negativa de Suassuna, ao negar a frase atribuída a ele pelo presidente da CPI dos Sanguessungas, de que "90% dos parlamentares tiram uma beirada das emendas do orçamento", Jefferson Peres disse que não vale a pena fazer acareação porque ambos iriam reiterar o que disseram. "Alguém está mentindo. Ou o senador disse aquilo e está mentindo agora, ou o Biscaia está inventando. Alguém está mentindo e é inútil fazer acareação". Segundo ele, fica, pois, "a palavra de um senador contra a de um deputado".O senador João Alberto disse que está entrando em contato com os integrantes do conselho para assegurar o quorum de votação. Ele prevê que não haverá pedido de vista, porque há um entendimento geral em favor da "liquidação" desse caso. Qualquer que seja o resultado, o resultado será submetido aos demais senadores no plenário. "Eles podem manter a decisão do conselho ou podem, ainda, mandar fazer novos estudos e alterar o parecer", lembrou o presidente do conselho.

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