Chefe da ONU prega cautela em caso de grupo muçulmano de Mianmar

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu à maior comunidade islâmica do mundo, no sábado, que "trate cuidadosamente" a questão dos muçulmanos apátridas Rohingyas, em Mianmar, porque isso poderá afetar o processo de reformas que está acontecendo no país.

MICHELLE NICHOLS, Reuters

29 de setembro de 2012 | 18h42

Ao longo do ano passado, Mianmar começou a mais abrangente reforma na antiga colônia britânica desde o golpe militar de 1962. Um governo semi civil, cheio de ex-generais, permitiu que ocorressem eleições, aliviou regras sobre protestos e libertou dissidentes.

Porém, em junho, a violência étnica explodiu entre os budistas Rakhine e os Rohingyas, matando 80 pessoas e desalojando milhares. Pelo menos 800 mil Rohingyas não são reconhecidos como um dos muitos grupos étnicos e religiosos do país.

Ban discutiu o assunto durante uma reunião com Ekmeleddin Ihsanoglu, secretário-geral da Organização de Cooperação Islâmica (OIC, na sigla em inglês) e com o presidente de Myanmar, Thein Sein, durante a Assembleia Geral da ONU.

Um comitê da OIC criado para cuidar da questão dos Rohingya se reuniu pela primeira vez, em Nova York nesta semana, e pediu que eles recebam direitos como cidadãos de Mianmar. Ihsanoglu disse que queria visitar Myanmar quando o governo estiver pronto para "consertar as questões de direitos fundamentais dos muçulmanos Rohingya."

O presidente de Mianmar está numa posição delicada. As concessões para os Rohingya podem ser impopulares para o público em geral, mas a percepção do mau tratamento corre o risco de irritar os países ocidentais, que reduziram as sanções em resposta às reformas de direitos humanos.

"O presidente confirmou que o país vai cuidar das ramificações de longo prazo desta questão," disse o porta-voz do presidente de Mianmar.

Na semana passada, Aung Min, ministro do presidente Thein e principal negociador das conversações de paz com pelo menos 10 líderes de grupos rebeldes, disse que o governo criou uma comissão de inquérito independente para investigar a violência entre os budistas Rakhine e os Rohingyas.

A comissão vai estudar como prevenir novos episódios de violência, o que inclui examinar o status das minorias étnicas. Os resultados devem ser divulgados no dia 16 de novembro.

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