REUTERS/Enrique Marcarian
REUTERS/Enrique Marcarian

Chefe da ONU cita Brasil como exemplo de eleição afetada por 'desinformação' 

Michelle Bachelet falou sobre os riscos da manipulação de dados coletados na internet e como podem afetar 'escolhas' das populações

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2018 | 17h23

GENEBRA - A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, cita o Brasil como exemplo de como a “desinformação” influenciou nas eleições, no mês passado. Num discurso realizado nesta quarta-feira na Universidade de Genebra, a chefe de Direitos Humanos das Nações Unidas tratou dos riscos da manipulação de dados coletados na internet e como podem afetar “escolhas” das populações. 

“Em alguns países, um volume amplo de dados está sendo coletado por meio de monitoramento, e são usados para determinar pontuações pessoais ou negando acesso às oportunidades”, alertou. 

“Temos visto que os dados, uma vez coletados, podem ser usados para uma multiplicidade de objetivos que vão bem além das metas originais”, declarou a ex-presidente do Chile. “Essa relação entre inteligência artificial e a coleta de dados sobre nossas personalidades e escolhas vão um passo além quando são usadas, por atores públicos ou privados, para manipular nossos pensamentos e mudar nossas escolhas”, alertou. 

“Isso não é ficção científica”, disse. “Seja na eleição presidencial dos EUA, no referendo sobre o Brexit no Reino Unido ou nas recentes eleições no Brasil e Quênia, onde pesquisas falsas e desinformação foram amplamente compartilhadas, estamos vendo um aumento do uso de campanhas de desinformação e robôs nas redes sociais para influenciar opiniões e escolhas de eleitores individuais”, alertou. 

“Talvez pensamos que isso não ocorre com nós mesmos: somos espertos suficientes para não ser afetados por um bando de robôs. Mas não tenho tanta certeza”, disse. 

“Aparentemente, a internet está ficando cada vez mais uma arena para forças muito sofisticadas para propaganda . seja por extremismo violento ou atores privados e mesmo autoridades estatais para objetivos políticos”, advertiu. 

“Nesse contexto, existe alguma dúvida de que nossa liberdade para pensar, acreditar, expressar ideias e fazer nossas escolhas e viver como queremos está sob ameaça?”, questionou. 

“Se nossos pensamentos, ideias e nossas relações podem ser previstas por instrumentos digitais, e mesmo alterado pela ação de programas digitais, então isso representa uma questão desafiadora e fundamental sobre nosso futuro.”

Na avaliação de Bachelet, um dos desafios dos Estados no futuro será regular o mundo digital, além de trabalhar ao lado de engenheiros e ativistas de direitos humanos para permitir que essa esfera possa ser um local de proteção de direitos humanos.

“A evolução do mundo digital é profundamente importante para os direitos humanos.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.