Chávez usará Fórum para colher apoios

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vai colher apoio dos participantes do Fórum Social Mundial à luta que trava para manter-se no poder. Mas não poderá contar com a ajuda de notas oficiais ou declarações formais dos comitês - nacional e internacional - que organizam o evento porque o movimento de Porto Alegre é da sociedade civil e só admite a presença do chefe de Estado anfitrião. "Chávez poderia aportar idéias interessantes, mas o foro adequado seria o de autoridades locais", acredita o italiano Roberto Sávio, do Comitê Internacional do Fórum.Apesar da contradição, não há constrangimentos entre os promotores do evento e nem do governador Germano Rigotto. Desprezando a possibilidade de receber críticas de boa parte de seu eleitorado - que liga Chávez aos adversários petistas -, Rigotto faz questão de receber o presidente venezuelano em seu gabinete. "Ele é um chefe de país que vem ao Rio Grande do Sul, e acho importante recebê-lo, assim como estou recebendo diferentes delegações que estão no Fórum", explica, adiantando que não vai discutir e nem tomar posição em relação aos problemas internos da Venezuela.O sociólogo Emir Sader, do Comitê Internacional do Fórum, diz que é uma concepção equivocada separar a sociedade civil do Estado. "Quem quer outro mundo possível tem que democratizar o Estado", acredita, recomendando que todos os que são contrários ao neoliberalismo sejam bem-vindos a Porto Alegre.Outro participante da organização do Fórum, o empresário Oded Grajew diz que se Chávez se comportar de acordo com as regras do Fórum, como espectador, não haverá qualquer problema. "Há outros representantes de governos participando como assistentes", compara. O problema, admite Grajew, seria se o presidente venezuelano extrapolasse as condições do evento. "Isso seria ruim para ele mesmo, que deixaria de ter a simpatia do Fórum", avalia.Chávez terá de submeter-se às normas do encontro de Porto Alegre somente durante o Fórum no Seminário de Solidariedade ao Movimento Bolivariano, promovido pela Associação pela Tributação das Transações Financeiras, que está na programação. Mas sua presença nos corredores do evento será suficiente para as manifestações de apoio.?Solidariedade internacional?Além disso, Chávez poderá desfrutar à vontade da popularidade que tem entre diversas organizações participantes do Fórum num ato de apoio, marcado para o auditório da Assembléia Legislativa pelo recém-criado Comitê de Solidariedade ao Povo da Venezuela, formado pela Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, Via Campesina, Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul e pelos gabinetes do vereador de Porto Alegre Raul Carrion (PC do B) e da deputada estadual Luciana Genro (PT). A programação não faz parte do Fórum, assim como a audiência com o governador Rigotto. O presidente venezuelano chega a Porto Alegre no início da tarde de domingo e viaja de volta à noite. O embaixador venezuelano Vladimir Villegas, que prepara a vinda de Chávez, ainda admite uma pequena possibilidade, "de menos de 1%" de o presidente desistir da viagem. E confirma que há um esforço governamental para buscar apoio no exterior e para tentar passar aos outros países a versão oficial dos fatos, que diz estar sendo bloqueada pela imprensa venezuelana. "Precisamos da solidariedade internacional para enfrentar uma conspiração nacional que tem ajuda também do exterior", justifica, com a Constituição do país nas mãos.Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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